Escândalo de corrupção atinge Rajoy e conservadores espanhóis

Cúpula do partido do premiê recebia comissões de empreiteiras; cópias de documentos foram revelados por 'El País'

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2013 | 02h05

Documentos do Partido Popular (PP) da Espanha indicam que vários de seus líderes, incluindo o atual premiê, Mariano Rajoy, recebiam comissões de empreiteiras. Os informes obtido pelo jornal El País se referem à contabilidade do PP entre 1990 e 2009 e registram o pagamento de somas a secretários-gerais e vice-secretários. Na época, a lei permitia doações de empresas privadas a partidos desde que declaradas ao fisco.

A investigação tornou-se pública em 16 de janeiro nas páginas do jornal El Mundo, que revelou o pagamento de comissões de € 15 mil por mês para políticos por empresas privadas. A maioria delas atua no setor da construção civil, entre as quais Sacyr Vallehermoso, FCC Construcción e OHL - esta última com atividades no Brasil. Grande parte das companhias envolvidas no escândalo de corrupção também estão implicadas em outro esquema, o Caso Gürtel, de fraude em licitações públicas.

Segundo El Mundo, Rajoy não teria recebido recursos e ordenou o fim do esquema. Essa versão, porém, foi desmentida por El País. Ontem, o maior diário espanhol revelou documentos dos tesoureiros Alvaro Lapuerta e Luis Bárcenas, em nome dos quais havia contas na Suíça. Os registros indicam pagamentos de € 25 mil por ano, em parcelas trimestrais ou semestrais, quando Rajoy exercia cargos na direção do PP, entre 1997 e 2008.

No mesmo período, as comissões teriam sido pagas a seu predecessor, o conservador José María Aznar, a Rodrigo Rato, ex-ministro de Finanças e ex-diretor do FMI, a Jaime Mayor Oreja, ex-ministro do Interior, e a Dolores Cospedal, atual secretária-geral do PP. As propinas coincidem com o governo Aznar, que chefiou o país por dois mandatos, de 1996 a 2004, até ser desbancado pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

Em nota, o PP disse que "não existe contabilidade secreta" e está investigando o caso. Ontem, Rajoy manteve-se em silêncio, o que causou uma onda de críticas. A única reação pública foi a convocação de uma reunião extraordinária do comitê executivo do PP, em frente do qual um protesto ocorreu ontem à noite. O socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, exigiu que o premiê responda se recebeu ou não dinheiro de empreiteiras sem declará-lo ao fisco. Até a noite de ontem, Rajoy não havia respondido.

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