Escândalo de corrupção militar é nova polêmica na sucessão chinesa

Um general chinês que tinha chances de ser promovido durante a próxima troca de liderança no país será preterido por ter ajudado a derrubar um colega que será julgado por corrupção nos próximos meses, segundo três fontes independentes.

BENJAMIN KANG LIM, Reuters

26 de outubro de 2012 | 09h30

A revista Phoenix, que é editada em Hong Kong com patrocínio do governo chinês, informou neste mês que a corte marcial do general Gu Junshan deve expor o maior escândalo de corrupção militar na China desde a ascensão do regime comunista, em 1949.

A revista disse que Gu construiu um suntuoso imóvel no centro de Pequim, mas não revelou detalhes sobre a quantia envolvida. O general, de 56 anos, foi demitido neste ano do cargo de subdiretor de logística do Exército, e detido para interrogatórios.

O caso, segundo fontes ligadas à cúpula chinesa, acabou por abalar as chances de promoção do general Liu Yuan, comissário político do Departamento de Logística, que esperava se tornar membro --ou mesmo vice-presidente-- da poderosa Comissão Militar Central do Partido Comunista, a ter sua nova composição definida ainda neste ano.

Uma fonte disse que "Liu Yuan se tornou um herói anticorrupção", mas que a revelação do escândalo incomodou figurões, "o que prejudica suas chances de promoção".

Essa mesma fonte disse que a investigação sobre Gu já foi concluída, e entrará agora na fase judicial. O paradeiro do general é desconhecido.

Ao ajudar a derrubar Gu, Liu buscou se apresentar como um ousado paladino anticorrupção, mas a manobra parece ter dado errado, já que ele irritou grupos ligados a Gu e abalou a imagem das Forças Armadas, segundo as fontes.

"Gu Junshan está sob investigação há cerca de cinco meses. É um caso complexo e difícil... uma espada de dois gumes, com garantias de conferir alguma credibilidade, mas que causa ressentimento entre colegas", disse uma segunda fonte.

O fato de Liu ter ligações com Bo Xilai, político que caiu em desgraça nos últimos meses, também abalou suas chances de promoção, segundo as fontes. Bo, antes uma estrela em ascensão na política chinesa, foi expulso do partido no mês passado por causa de abuso de poder, corrupção e outros crimes.

A agência estatal de notícias Xinhua informou nesta sexta-feira que ele também teve seu mandato parlamentar cassado.

As Forças Armadas chinesas já estão passando por uma reformulação, às vésperas do congresso partidário que encaminhará a sucessão política no país, um processo que ocorre uma vez a cada dez anos.

Na terça-feira, o brigadeiro Ma Xiaotian foi nomeado comandante da Força Aérea, em substituição a Xu Qiliang, que deve se tornar vice-presidente da Comissão Militar. Na quinta-feira, quatro generais foram nomeados para outros cargos importantes.

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