Escândalo de escravos derruba líder comunista chinês

Wang Dongji, secretário-geral em Caosheng, na província de Shanxi, é o pai de Wang Bingbing, dono da primeira fábrica com escravos descoberta no fim de maio

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h05

O escândalo causado pelo uso de escravos, entre eles crianças, em fábricas de tijolos da China fez sua primeira vítima política, com a cassação e expulsão do Partido Comunista do secretário-geral num dos povoados onde a prática foi descoberta, informou nesta terça-feira a imprensa oficial. Wang Dongji, secretário-geral em Caosheng, na província de Shanxi, que estava sendo investigado há vários dias, é o pai de Wang Bingbing, dono da primeira fábrica com escravos descoberta no fim de maio, na localidade de Hongtong. Seu filho já foi detido na semana passada, como parte de uma campanha policial. A Polícia inspecionou mais de 6 mil fábricas, detendo 168 pessoas e resgatando quase 600 escravos, entre eles dezenas de menores de idade. Vinte suspeitos de comandar máfias de venda de escravos e fábricas que utilizavam a mão-de-obra estão sendo procurados, informou hoje o Ministério da Segurança Pública. A cassação de Wang foi anunciada em entrevista coletiva pelo presidente da Federação de Sindicatos da China, Zhang Mingqi. Ele apresentou os primeiros resultados das investigações do Governo central. Zhang destacou que os responsáveis pelo caso de Hongtong já foram todos detidos, inclusive o capataz da fábrica, Heng Tinghan, que tinha fugido e era um dos homens mais procurados do país até a sua detenção, no sábado. Numa entrevista ao jornal provincial "Shiyan Evening News", publicada ontem, Heng não mostrou nenhum arrependimento por ter maltratado seus trabalhadores. Um deles morreu espancado por guardas da fábrica. "Espancar e insultar os trabalhadores e não pagar os salários, para mim, não tinha muita importância", disse Heng, de 42 anos, quem negou responsabilidade pela morte de um dos escravos. Após a cassação do líder comunista, a sua mulher, Zhang Mei, saiu em sua defesa, dizendo ao jornal "Chongqing Morning Post" que durante anos ele e seu filho tinham tentado registrar a fábrica e legalizar a sua situação. Segundo ela, sua família pagava a cada ano uma cota ao Departamento de Terra e Recursos para seu registro legal. Mas as autoridades pediam mais dinheiro para "ajudar" a manter a olaria na legalidade. A mulher de Wang Dongji também acusou a Polícia de aceitar um suborno equivalente a US$ 4.400 em troca de evitar que a família fosse detida. Muitos escravos trabalhavam até 20 horas diárias, descalços e vestidos com farrapos, mantidos a pão e água e espancados.

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