Escândalo de favorecimento envolve filhos de Uribe

Pressionado pelas crescentes denúncias de corrupção em um escândalo envolvendo seus dois filhos, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, recusou-se ontem a dar explicações sobre o caso. "Perguntem a eles", respondeu Uribe, referindo-se aos seus filhos Tomás e Jerónimo, de 27 e 25 anos, ao ser questionado por repórteres sobre supostos negócios irregulares de sua família.Segundo a imprensa colombiana, os dois filhos do presidente enriqueceram de maneira ilícita como acionistas de uma empresa diretamente beneficiada pela criação de uma zona franca em Mosquera, nas proximidades de Bogotá. Com o decreto que estabeleceu a nova área, houve uma forte valorização de um terreno de 32 hectares comprado em 2006 pela Residuos Ecoeficiencia, empresa cujos principais acionistas seriam Tomás e Jerónimo.De acordo com a revista colombiana Semana, o plano de criação da zona franca foi favorecido por funcionários do governo e pelo então prefeito de Mosquera, Álvaro Rozo Castellanos, responsável pelos decretos que criaram a área. Castellanos nega ter favorecido os filhos do presidente. O projeto de construção "já havia sido determinado em 2000", afirma.Sob fogo cerrado na imprensa colombiana, Tomás e Jerónimo admitiram ter ações da empresa, mas disseram deter apenas 7% da companhia beneficiada - diferentemente dos 60% divulgados. Ainda segundo eles, não houve nenhum envolvimento da família Uribe na decisão de criar a zona franca. "Não podem nos negar o direito de trabalho por sermos filhos do presidente", disseram.Os filhos de Uribe, entretanto, não revelaram a quantia envolvida na operação e tampouco disseram se o dinheiro já teria entrado em suas contas. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, "o terreno se valorizou de maneira milionária" com a declaração da zona franca.O ministro do Comércio, Luis Guillermo Plata, garantiu que a criação da área com isenção fiscal em Mosquera não será revertida. "Em nenhum momento houve um pedido para que o processo tramitasse mais rapidamente ou para que as condições fossem mais brandas", disse Plata sem mencionar a família Uribe.

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