Escândalo de gastos derruba subsecretário britânico

Malik teria usado irregularmente mais de US$ 90 mil em auxílio-moradia

REUTERS E THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

O subsecretário da Justiça Shahid Malik tornou-se ontem o terceiro político britânico a ser afastado do cargo por causa do escândalo de políticos e parlamentares que utilizaram fundos públicos para pagar contas pessoais. Malik apresentou sua renúncia depois que o primeiro-ministro Gordon Brown pediu uma investigação sobre as irregularidades constatadas em seu relatório de despesas.O jornal The Daily Telegraph - que vem publicando uma série de reportagens sobre os gastos dos parlamentares - afirmou que Malik teria usado mais de US$ 90 mil em auxílio-moradia para pagar um apartamento em Londres enquanto alugava sua casa por cerca de US$ 150 por semana. O jornal também revelou que ele tentou pedir reembolso de mais de US$ 3 mil por uma TV de tela plana. No entanto, as autoridades britânicas só concordaram pagar metade do valor do aparelho.Malik negou ter violado o código de ética dos ministros e disse que vai doar o dinheiro que recebeu pela TV para projetos sociais. "Não vou devolver (o dinheiro) para as autoridades do Parlamento porque é legitimamente meu", disse Malik. "Não tenho por que pedir desculpas, não fiz nada de errado." Malik foi o primeiro muçulmano britânico a conseguir uma cadeira no Parlamento (mais informações nesta página). De acordo com um porta-voz do governo, se as investigações concluírem a inocência de Malik, ele poderá voltar ao cargo.O subsecretário foi a terceira autoridade a ser afetada pelo escândalo, que revelou o uso indevido de verba pública por alguns parlamentares - entre os casos apresentados estão os de políticos que usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis. Outras despesas descobertas incluem gastos com ração para cachorro, lâmpadas e itens de higiene pessoal.Na quinta-feira, o Partido Trabalhista anunciou a suspensão de um de seus legisladores e um assessor da oposição deixou seu cargo. A polícia de Londres e os promotores públicos afirmaram ontem que vão conduzir uma análise conjunta das despesas dos parlamentares para decidir se uma investigação criminal deve ser iniciada.GOLPE POLÍTICOA divulgação dos gastos enfureceu a população e ameaça afetar os resultados das eleições locais previstas para o próximo mês. As denúncias prejudicaram todos os partidos, mas foi um golpe principalmente ao Partido Trabalhista, no poder desde 1997.Uma pesquisa de opinião divulgada ontem mostrou que 22% dos britânicos apoiam os trabalhistas, enquanto 41% preferem os conservadores. Se o resultado se confirmar nas próximas eleições gerais, os conservadores devem voltar ao poder.

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