Escândalo de tortura causa renúncia de ministro no Paraguai

O ministro da Justiça e Trabalho do Paraguai, Silvio Ferreira, renunciou nesta segunda-feira diante das provas de que dois líderes esquerdistas haviam sido torturados por agentes policiais. O próprio Ferreira anunciou à imprensa sua renúncia após entrevistar-se com o presidente paraguaio, Luis González Macchi, no Palácio do Governo. O escândalo ganhou nova dimensão no fim de semana, quando apareceram em público os políticos Juan Arrom e Anuncio Martí, líder do marxista-leninista movimento Pátria Livre, com fortes marcas de tortura. Ambos denunciaram ter permanecido presos durante dez dias à mercê de agentes policiais a serviço do departamento de investigação judicial. Os referidos agentes - segundo Arrom - "nos pediram que nos responsabilizássemos pelo seqüestro de María Edit Bordón", nora de um empresário e ex-alto funcionário governamental, por cujo resgate a família pagou US$ 1 milhão. Ferreira é a terceira vítima do escândalo nas fileiras governamentais: dias antes, foram afastados de seus cargos o comandante da Polícia Nacional, Blás Chamorro; e o chefe do departamento de investigações, comissário Roberto González. Ferreira acrescentou ter ficado indignado porque Arrom, um dos torturados, o envolveu gratuitamente ao dizer que ele o visitado no local onde esteve seqüestrado. ?Nego categoricamente esta acusação", explicou. Em seguida, deixou o Palácio do Governo. Jaime Bestard, porta-voz de González Macchi, acrescentou que o atual ministro do Interior, Julio César Fanego, "também foi convidado a renunciar, caso se sentisse envolvido nas acusações de torturas, mas havia preferido se recolher à sua residência para pensar em uma decisão final". "Concordamos - acrescentou Bestard - em que, se ele resolvesse deixar o cargo, comunicasse o fato diretamente à imprensa." Ao mesmo tempo, o procurador-geral do Estado, Oscar Latorre, ordenou a realização de um processo administrativo no departamento de investigações judiciais em busca dos responsáveis pela tortura imposta aos dirigentes esquerdistas.

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