Escândalo de tortura faz renunciar outro ministro paraguaio

O ministro do Interior paraguaio, Julio Fanego, apresentou, nesta terça-feira, sua renúncia ao cargo, na segunda renúncia ao gabinete do presidente Luis González Macchi após o escândalo provocado pelo seqüestro e posterior reaparição com sinais de tortura de dois dirigentes esquerdistas. Nesta segunda-feira, o ministro da Justiça e Trabalho, Silvio Ferreira, demitiu-se logo após dois altos funcionários serem acusados de encobrir o seqüestro de líderes políticos. O fundador e líder do pequeno grupo de esquerda Pátria Livre, Juan Arrom, e outro dirigente do movimento, Anuncio Martí, foram resgatados por seus familiares após 14 dias de cativeiro, com fortes sinais de tortura supostamente aplicada por paramilitares ou parapoliciais. Após ser libertado, Arrom denunciou que durante sua detenção foi levado a um encontro com o ministro Ferreira, que o colocou em contato telefônico com Fanego - o que os dois ministros renunciantes negam. Arrom e Martí eram procurados como supostos integrantes de um grupo que seqüestrou María Edith Bordón de Debernardi, esposa e nora de dois grandes empresários, libertada após dois meses de cativeiro e o pagamento de um resgate superior a US$ 1 milhão. Várias teorias estão sendo formuladas sobre o seqüestro e a tortura dos dois supostos seqüestradores de Debernardi. Algumas hipóteses sugerem que se pretendia tirar dos políticos parte do resgate que já havia sido pago pela mulher; outras sugerem uma luta interna dentro dos organismos de segurança do governo. Após anunciar sua renúncia, Fanego disse que se retirava "não por sentimento de culpa", mas, sim, para colocar-se à disposição das investigações e que se defenderá perante a Justiça. O presidente González Macchi ainda não nomeou os substitutos dos dois ministros.

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