Escândalo envolvendo pastor choca evangélicos dos EUA

Os cerca de 30 milhões de cristãos evangélicos dos EUA reagiram estupefatos ao escândalo envolvendo Ted Haggard, presidente da Associação Nacional de Evangélicos, acusado de contratar os serviços de um garoto de programa. Haggard é um ferrenho defensor de uma emenda à constituição do Estado do Colorado que proíbe o casamento gay.Nas eleições legislativas de terça-feira, oito Estados deverão, além de escolher seus representantes no Capitólio, decidir sobre a inclusão de uma emenda que proíbe os casamentos entre homossexuais em suas constituições.A proximidade entre a eclosão do escândalo e as eleições não parece ser uma coincidência. O ex-garoto de programa Mike Jones assegurou que se sentiu traído após saber que a pessoa que conhecia pelo nome de "Art", com quem tinha mantido relações durante três anos, era, na realidade, um destacado pastor evangélico que lutava contra o casamento homossexual.Haggard, de 50 anos, casado e com cinco filhos, uma das figuras mais destacadas do movimento evangélico nos EUA, foi incluído pela revista "Time" em sua lista de 25 líderes evangélicos mais influentes. Em várias ocasiões ele assessorou a Casa Branca.No entanto, a Casa Branca, por meio do porta-voz, Tony Fratto, assinalou que Haggard tinha tomado parte de um número reduzido de conferências telefônicas com outros líderes evangélicos, e de "uma ou duas" visitas ao presidente George W. Bush.Tony Fratto, manifestou sua confiança de que o escândalo não irá prejudicar a afluência dos eleitores evangélicos às urnas na eleições da terça-feira.Haggard, que renunciou a seu cargo na sexta-feira, teria reconhecido parte das acusações, segundo disse Ross Parsley, pastor que o substituiu temporariamente à frente da Igreja da Nova Vida, em Colorado Springs. Mas em sua única declaração pública até agora, Haggard negou tudo e disse jamais ter tido relações homossexuais."Estou bem com minha mulher, sou fiel à minha esposa", disse o pastor à rede de televisão local KUSA-TV. A versão de Jones contraria estes argumentos e mostra uma imagem muito diferente de Haggard.Serviços "estritamente físicos"Segundo o ex-garoto de programa, o pastor entrou em contato com ele há três anos por meio de um anúncio. Desde então o visitava mensalmente em Denver, onde usufruía de seus serviços "físicos, estritamente físicos, nada emocional", segundo Mike Jones, em troca de US$ 200. Jones contou também que Haggard consumiu anfetaminas em seus encontros sexuais.Haggard reconheceu hoje que comprou anfetaminas de Jones, mas disse que nunca as utilizou. O escândalo ainda é muito confuso e, para tornar o episódio mais caótico, hoje vieram a público duas provas contraditórias sobre as acusações.Por um lado, um analista em fonética assegurou à imprensa local que a voz que aparece em umas gravações que o ex-garoto de programa tem guardadas em seu telefone é de Haggard.No entanto, o próprio Jones se submeteu hoje à prova do polígrafo e ao responder às duas perguntas sobre as relações sexuais que teria mantido com o pastor, a máquina indicou que mentia.Jones atribuiu o resultado do teste com o detector de mentiras ao fato de que está sendo submetido a um grande estresse e que dormira apenas duas horas. Por essa razão, Jones passará por uma nova prova.

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