Escândalo Irã-Contras marcou indicado para o Pentágono

Robert Gates, o homem indicado pelo presidente americano George W. Bush para assumir o cargo de Secretário de Defesa no lugar de Donald Rumsfeld, passou a maior parte de sua carreira trabalhando na CIA (Agência de Inteligência Americana) e foi diretor do órgão entre 1991 e 1993. Sua carreira foi marcada por uma polêmica quando ocupou o cargo de vice-diretor de inteligência da CIA entre 1982 e 1986, de vice-diretor em abril de 1986 e de diretor interino no mesmo ano. Nessa época, acredita-se que ele tivesse tido conhecimento do chamado escândalo Irã-Contras - referente ao desvio ilegal, nos anos 80, de verbas obtidas com a venda de armas para o Irã para os guerrilheiros contrários aos sandinistas, que haviam tomado o poder na Nicarágua. A polêmica causou mal-estar a ponto de fazer com o então presidente Ronald Reagan retirasse a indicação de Gates para assumir a direção da CIA em 1987. Gates foi investigado em 1991, mas nunca chegou a ser processado por envolvimento no caso. Operações secretas Gates, atual presidente da Texas A&M University, uma das maiores universidades dos Estados Unidos, teria sido a primeira opção do presidente George W. Bush para assumir o cargo de diretor nacional de inteligência, mas teria recusado o cargo - que acabou sendo ocupado por John Negroponte. A função foi criada para melhorar a coordenação entre diversos órgãos de inteligência ligados ao governo americano, mas Gates manifestou preocupação com a possibilidade de que a posição não tivesse força suficiente para mudar alguma coisa. A experiência do ex-diretor da CIA em operações secretas pode ser de grande importância neste momento, por causa da presença americana no Iraque. Além de ter tido envolvimento na idealização da política americana na época da guerra do Golfo, em 1991, ele também participou de negociações para resolver a crise dos reféns no Irã entre 1979 e 1981 e ajudou o governo americano a decidir o melhor curso de ação depois que a União Soviética invadiu o Afeganistão, em 1979. Afeganistão Em seu livro, From The Shadows, publicado em 1996, Gates defendeu o papel da CIA em ações secretas que, segundo ele, ajudaram os Estados Unidos a vencer a Guerra Fria. Em um discurso feito em 1999, ele disse que sua missão mais importante foi no Afeganistão. ?A CIA teve importantes vitórias em operações secretas. Talvez a que teve mais conseqüências foi no Afeganistão, onde a CIA, com seu gerenciamento, direcionou milhões de dólares em suprimentos e armas para os milicianos islâmicos (que combatiam tropas soviéticas), e a resistência foi então capaz de levar o Exército Soviético a um impasse e, depois, levou à decisão política de retirar os soldados de lá?, disse. Gates é considerado uma figura respeitada tanto por democratas quanto por republicanos no Congresso, e a expectativa é que sua indicação seja ratificada com facilidade pelo Senado em Washington.

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