EFE/Horacio Villalobos
EFE/Horacio Villalobos

Escândalo muda cenário eleitoral na França

Conservador François Fillon perde espaço e segundo turno deve ocorrer entre independente Macron e a ultraconservadora Le Pen

O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2017 | 19h36

PARIS - As denúncias de corrupção envolvendo a mulher do o candidato conservador à presidência da França, François Fillon, custaram-lhe o segundo lugar nas pesquisas de opinião, indica um levantamento divulgado ontem, que projeta um segundo turno entre o candidato independente Emmanuel Mácron e a representante da extrema direita, Marine Le Pen. 

Novas denúncias divulgadas ontem na imprensa francesa abalaram ainda mais a candidatura de Fillon. Segundo o jornal Le Canard Enchaîné - publicação que mistura humor e jornalismo investigativo - o período em que a mulher dele, Penélope, trabalhou como funcionária fantasma na Assembleia Nacional era maior do que se pensava. Por 12 anos na função de assessora fantasma, ela recebeu 831 mil euros. 

Uma pesquisa do instituto Elabe para o jornal Les Echos, realizada em 30 e 31 de janeiro, mostrou um aumento nas intenções de votos tanto Le Pen, que agora lidera, e Macron. Fillon, favorito à vitória até semana passada, não chegaria ao segundo turno.

As intenções de voto de Macron no primeiro turno oscilaram um ponto porcentual, para 23%. O resultado de Le Pen no primeiro turno subiu 3 pontos, para 27%.

O resultado de Fillon caiu para entre 6 pontos, para 19%. A pesquisa foi conduzida dias após a denúncia contra Penélope Fillon, mulher do candidato, que recebeu dinheiro público para trabalhos fantasmas na Assembleia Nacional. Se a tendência se mantiver até maio, Fillon ficaria de fora do primeiro turno. 

Ainda de acordo com a pesquisa, Macron venceria Le Pen no segundo turno em 7 de maio, com 65% o dos votos. Caso Fillon chegue ao segundo turno, ele também venceria Le Pen, mas por uma margem menor, com 59%, segundo a pesquisa.

Fillon prometeu lutar até o fim contra os ataques que tem sofrido e voltou a alegar inocência. “Quando alguém escolhe ser candidato à eleição presidencial, não se pode, em seguida, queixar-se da violência dos ataques (...). Eu irei enfrentá-los até o fim. Serei candidato nesta eleição presidencial”, disse o candidato.

Denúncias. Ainda de acordo com o Le Canard Enchaîné, Fillon pagou a dois de seus cinco filhos um salário de assessor parlamentar quando era senador, entre 2005 e 2007. Em entrevista na televisão francesa na semana passada, ele disse que ambos foram contratados por sua experiência como advogados. 

No entanto, nenhum dos dois filhos de Fillon tinha se formado em direito à época. Ambos, segundo o Le Canard Enchaîné, receberam cerca de 90 mil euros pela função. 

Pela lei francesa, não é ilegal empregar parentes como assessores, mas é necessário provar que eles desempenham um função legítima. Após a denúncia, a procuradoria abriu um inquérito contra Fillon. Com fama de político honesto, ele prometeu abandonar a disputa se for indiciado.  Ainda ontem, o WikiLeaks publicou em seu site 3,6 mil documentos de seus arquivos sobre Fillon. / AP e NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.