Escândalo põe cúpula de estatal boliviana sob suspeita

Há apenas um mês, o presidente boliviano, Evo Morales, deu-se o luxo de falar de temas grandiosos: de como a nova Constituição elevaria a qualidade de vida das massas indígenas e traria a igualdade ao pobre país andino, após séculos de injustiças.Mas a Bolívia voltou aos noticiários mundiais quando Evo se viu enredado num escândalo político - e bizarro. O problema começou em 27 de janeiro, quando o empresário do petróleo Jorge O?Connor entrava com maletas contendo US$ 450 mil para entregar num prédio em La Paz. Ele foi emboscado por pistoleiros e morto.Membros da oposição disseram depois que o dinheiro era uma propina para Santos Ramírez, o presidente da companhia Yacimientos Petrolíferos Federales Bolivianos (YPFB). Ramírez concedera um contrato de US$ 86 milhões à companhia de O?Connor para que ela construísse uma usina de processamento de gás natural. Ocorre que Ramírez, um ex-parlamentar com aspirações presidenciais, era amigo de Evo, que foi padrinho do seu casamento.Evo reagiu ao crime demitindo vários executivos da YPFB e mandando prender Ramírez. A imprensa boliviana acompanhou de perto o caso, que um repórter descreveu como uma novela policial. Entre os detalhes bizarros: antes de ser preso, Ramírez disse na TV que se estava divorciando de sua mulher. Depois, viu-se preso sob o olhar vigilante de um chefe de polícia que fora casado com ela. Na semana passada, Evo disse que fora "totalmente provado" que agentes da CIA haviam se infiltrado na petrolífera e estavam conspirando contra ele.

The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2009 | 00h00

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