Escândalo político antecede visita de Bush à Colômbia

Às vésperas da visita do presidente George W. Bush à Colômbia, os democratas dos Estados Unidos questionam o enorme fluxo de ajuda enviado aos colombianos, depois do escândalo do envolvimento de integrantes do governo local com grupos paramilitares. Os EUA gastaram 4 bilhões de dólares desde 2000 no "Plano Colômbia", para ajudar o país latino-americano a combater os rebeldes e o tráfico de cocaína, mas a oposição democrata está de olho no escândalo "parapolítico", no momento em que analisa o pedido feito pela Casa Branca de mais US$ 3,9 bilhões em assistência aos colombianos. "Isso obviamente nos diz respeito e o povo americano precisa de garantias de que o governo cortou todas as ligações com qualquer grupo terrorista paramilitar", disse o senador democrata por Vermon Patrick Leahy, que é presidente do painel do Senado que supervisiona o financiamento do Plano Colômbia. Bush vai a Bogotá no domingo, na mesma viagem em que também visita o Brasil e outros três países latino-americanos. Oito parlamentares aliados ao presidente colombiano, Alvaro Uribe, e um chefe de uma agência de segurança nomeado por ele estão presos sob acusação de cumplicidade com comandantes das milícias paramilitares na época mais negra do conflito. O escândalo não poderia ter acontecido num momento pior, já que, além da renovação da assistência, há a discussão sobre o acordo de livre comércio entre EUA e Colômbia. Mesmo assim, o apoio a Uribe em Washington continua intacto, afirmam analistas. "O clima no Congresso está ficando negativo bem rápido. A tendência ainda não é contra Uribe, mas contra os paramilitares," disse Riordan Roett, diretor de estudos latino-americanos da Universidade Johns Hopkins. Os paramilitares foram criados por agricultores para combater as guerrilhas de esquerda. Os grupos foram responsáveis por algumas das piores atrocidades do confronto. Desde 2003, Uribe já desmobilizou 31 mil paramilitares, dando a eles sentenças de prisão amenas em troca de confissões e indenizações para as vítimas. Ativistas acusavam havia anos os políticos colombianos de associação com os paramilitares, mas para especialistas as investigações e confissões atuais podem agora expor a profundidade de sua influência política. A ministra das Relações Exteriores, Maria Consuelo Araujo, renunciou no mês passado depois da prisão de seu irmão, senador, sob a acusação de ter ajudado as milícias e planejado o sequestro de um rival. O pai dela também já teve a prisão pedida pela promotoria no mesmo caso.

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