Escândalo sexual ameaça candidatura Toledo

O candidato presidencial peruano Alejandro Toledo, líder das pesquisas para a eleição de 8 de abril, pode ter sua vitória ameaçada por causa de uma reportagem divulgada nesta quinta-feira pela revista Caretas, que lançou dúvidas sobre uma mal contada história de seqüestro, orgia sexual e consumo de drogas. A versão já tinha sido revelada pela mulher de Toledo, Eliane Karp, que atribuiu o episódio a uma tentativa de agentes do ex-chefe de inteligência do Peru, Vladimiro Montesinos, de desmoralizar o candidato.Segundo ela, os homens de Montesinos seqüestraram seu marido em 16 de outubro de 1998, ministraram-lhe algumas drogas e fotografaram-no em situações sexuais com algumas mulheres. O objetivo, segundo Eliane, era usar as fotos para chantagear Toledo no futuro. A história que o mais recente número de Caretas traz, porém, é um pouco diferente. Toledo só chegou em casa no dia seguinte ao do suposto seqüestro, aparentemente drogado, e - como Eliane e a filha do casal, Chantal, tinham informado à polícia na época do desaparecimento - foi levado para realizar exames numa clínica de Lima.O resultado mostrou que ele havia consumido cocaína e o barbitúrico fenobarbitol. Médicos ouvidos pela revista indicaram que o remédio seria o menos indicado para ser usado em seqüestro, uma vez que seus primeiros efeitos são demorados.A revista apurou também que o barbitúrico foi comprado numa farmácia de Lima por três mulheres que nunca foram identificadas, e o pagamento foi feito com o cartão de crédito de Toledo. Um mensageiro da farmácia foi até o quarto em que Toledo estava hospedado no Hotel Queen para que ele assinasse a nota de débito. Outros débitos foram feitos no cartão de Toledo no mesmo dia. À polícia, depois de ter feito os exames tóxicológicos, Toledo desmentiu a versão de seqüestro que Eliane apresentara. O boletim de ocorrência registra que ele alegou ter ficado bebendo e conversando com amigos até tarde da noite, que tudo não tinha passado de um mal-entendido, e as somas debitadas em seu cartão de crédito correspondiam à cobertura de "emergências econômicas", as quais detalharia oportunamente. O autor da reportagem, Jimmy Torres, disse também que Toledo ofereceu a ele "um posto bem-remunerado" em sua campanha, quando procurado para dar sua versão sobre o caso.Toledo também está às voltas com uma ação de paternidade não reconhecida, movida pela mãe de uma jovem de 13 anos. Em resposta à divulgação da reportagem, Toledo assegurou que foi "sedado, drogado e possivelmente fotografado em situações comprometedoras por agentes de Vladimiro Montesinos". Ele disse também que não levou adiante a queixa policial porque, na época, "a polícia estava comprometida com o esquema montesinista". Toledo também atribuiu a reportagem de Caretas a uma "guerra suja" para impedir sua eleição.

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