Michael Nagle/AFP
Michael Nagle/AFP

Escândalos ameaçam carreira de democratas

Prefeito de Washington, Vincent Gray, está sob investigação de suborno de concorrente e deputado Weiner admitiu ter postado fotos impróprias

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2011 | 00h00

Recentes escândalos podem acabar com as carreiras de dois políticos em ascensão no Partido Democrata. O deputado Anthony Weiner, de Nova York, usou a internet para trocar mensagens picantes com mulheres. Foi pego, mentiu e agora se vê pressionado a renunciar. Weiner era um dos favoritos à sucessão do prefeito de Nova York, em 2013.

O prefeito de Washington, Vicent Gray, foi acusado de subornar um concorrente na eleição municipal de 2010 e está sob investigação da Câmara dos Vereadores. Ele seria candidato natural à reeleição, em 2014.

A repercussão dos dois casos reiterou a intolerância dos Estados Unidos aos escândalos sexuais e às manobras ilegais, sobretudo quando envolvem cargos e recursos públicos. Apesar de ambos os políticos envolvidos serem democratas, os casos não chegam a macular a imagem do presidente Barack Obama. Mas podem virar munição para a oposição republicana na corrida presidencial de 2012 - em especial, se os dois saírem ilesos.

No sétimo mandato como deputado federal, Weiner, de 46 anos, começou a cair em desgraça em 27 de maio, quando enviou pelo Twitter uma foto na qual insinuava suas partes íntimas, cobertas por uma cueca cinza, a uma seguidora. Na ocasião, ele afirmou ter sido vítima de um hacker. Dez dias depois, um blogueiro conservador postou uma fotografia de Weiner, sem camisa, enviada pelo deputado a outra mulher. Imagens de ângulos menos encobertos de seu corpo, despachadas a mulheres pelo parlamentar, acabaram expostas pela imprensa. No dia 6, Weiner confessou "não ter sido honesto" e ter mantido "seis relações impróprias" com mulheres, pela internet, nos últimos três anos.

Ontem, a polícia encontrou provas de sua correspondência com uma adolescente de Delaware. Depois que o assunto se tornou público, a assessoria do deputado anunciou sua decisão de pedir uma licença ao Congresso para se tratar e "se tornar um marido melhor" e "uma pessoa mais saudável".

Apesar da pressão, ele não renunciou ao posto, que lhe garante renda anual de US$ 174 mil (R$ 276 mil). Antecipando-se ao presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, a líder da minoria democrata, Nancy Pelosi, pediu a abertura de uma investigação pelo Comitê de Ética da casa. Nos últimos dois dias, os principais expoentes do partido pressionaram Weiner à renúncia.

Gray corre menos riscos que Weiner. Ainda assim, está exposto a um possível processo de impeachment. O prefeito de Washington (DC) tornou-se mais conhecido pelas fotos nas quais apareceu algemado durante um protesto contra cortes de gastos no Orçamento Federal de 2011. O caso foi bem acolhido pelo eleitorado e ele apenas respondeu pelo bloqueio do tráfico de veículos.

Seu escândalo, de fato, diz respeito à promessa de contratação de um ex-concorrente à prefeitura para sua equipe. O ex-candidato Sulaimon Brown tornou-se assistente especial do Departamento de Financiamento da Saúde com salário acima do regular, de US$ 110 mil (R$ 174 mil) ao ano. Em 2010, ele teria aceitado a proposta de Gray de manter-se na campanha eleitoral para disparar ataques contra o favorito, o então prefeito Adrian Fenty.

A comissão de investigação da Câmara dos Vereadores investiga o caso, além de denúncias de nepotismo e outras violações do prefeito Gray, que se expôs também a um processo criminal.

Para sua defesa, Gray contratou Robert Bennett, profissional que fez o ex-presidente Bill Clinton sair ileso do processo de impeachment pelo envolvimento com Monica Lewinsky.

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