Escândalos e baixa popularidade fazem Shinzo Abe renunciar

Primeiro-ministro expressa desejo de que sucessor seja eleito rapidamente, sem citar nomes

Agências internacionais,

12 de setembro de 2007 | 04h13

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou nesta quarta-feira, 12, que decidiu apresentar sua renúncia, após quase um ano no cargo. "Hoje tomei a decisão de renunciar", disse Abe em entrevista coletiva. Ele expressou seu desejo de que seu sucessor seja eleito rapidamente, sem citar nomes.  Abe foi eleito em 26 de setembro de 2006, substituindo Junichiro Koizumi. Desde o primeiro momento seu mandato foi marcado por erros, casos de corrupção de seus ministros e baixa popularidade, atribuída em parte à sua falta de liderança. Abe explicou que, sem gozar da confiança do povo japonês, era difícil continuar seu programa de reformas. E acrescentou que decidiu acelerar sua renúncia para evitar problemas na Dieta (Parlamento). Segundo a BBC, no pronunciamento à imprensa, arranjando às pressas e transmitido pela televisão, Abe, visivelmente abatido, disse ainda que deixava o governo porque o Japão precisa de um novo líder "para lutar contra o terrorismo", numa referência aos planos de renovar o mandato da missão naval japonesa que apóia as forças dos Estados Unidos no Afeganistão. De acordo com autoridades de alto escalão, motivos de saúde foram uma das razões por trás decisão. O Partido Liberal Democrático (PLD), no poder no Japão, "precisa de sangue novo", disse o ainda primeiro-ministro. Abe apresentou ainda como razões para sua decisão de renunciar a derrota sofrida nas eleições para o Senado, em 29 de julho, quando o PLD perdeu a maioria, e sua incapacidade de aprovar uma extensão da Lei Antiterrorista, que enfrenta a rejeição do opositor Partido Democrático (PD). Quando um jornalista perguntou por que ele não havia renunciado logo depois das eleições, quando se esperava, Abe respondeu que achou necessário manter as reformas e assumir a responsabilidade. Ele também defendeu que o Japão "continue apoiando a luta contra o terrorismo". Além disso, disse que o líder da oposição, Ichiro Ozawa, não tem intenção de negociar enquanto ele for primeiro-ministro. Por isso, afirmou seu desejo de que seu sucessor seja "uma pessoa com força", sem citar um nome. Abe, que aos 52 anos tornou-se o mais jovem primeiro-ministro do Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, realizou mudanças no gabinete no mês passado para tentar reconquistar o apoio público. Mas uma pesquisa esta semana indicou que sua aprovação estava abaixo dos 30%. Suporte aos EUA No domingo, o primeiro-ministro avisou que renunciaria se não conseguisse prorrogar a missão das tropas japonesas no Afeganistão além do prazo estabelecido, que vai até 1 de novembro. O PD se opôs à extensão. O líder da oposição, Ichiro Ozawa, voltou a rejeitar a proposta terça-feira. As unidades navais das Forças de Autodefesa do Japão se encontram em águas do Oceano Índico para garantir a assistência logística aos Estados Unidos e seus aliados na área desde 2001. A missão, que começou por causa dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, foi prorrogada 11 vezes sob a Lei Especial de Medidas Antiterroristas, que expira dia 1 de novembro.  Matéria ampliada às 07h30.

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