Escândalos são parte do modo de governar

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi resistiu às denúncias embaraçosas, suportou as baixas de integrantes de sua coalizão e fez de tudo para garantir a maioria no Parlamento. O índice de aprovação do governo, embora tenha caído 10 pontos porcentuais nos últimos meses, está em torno de 40%. O que é um milagre, considerando todos os seus problemas com a Justiça e com o crescimento anêmico de 1,5% da economia do país.

Alexander Atille, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2011 | 00h00

Como proprietário de um império financeiro e das telecomunicações construído sob uma cultura política corrupta, Berlusconi prefere dirigir o espetáculo a cuidar do equilíbrio de poderes da democracia. Promoveu mudanças na legislação eleitoral italiana para escolher quase todas as pessoas do seu partido que trabalham no Parlamento.

Depois da reeleição para um terceiro mandato de primeiro-ministro, em 2008, e das vitórias em vários processos criminais, o comportamento de Berlusconi tornou-se cada vez mais imprudente. Age mais como um monarca do que como um líder eleito.

Os escândalos em si não causaram graves danos a Berlusconi; sua reação aos escândalo, sim. Cansado de ler artigos nos jornais que forneciam detalhes de conversações gravadas entre ele e prostitutas e políticos corruptos, Berlusconi restringiu o uso das gravações a casos que envolvam terrorismo ou a máfia. Então surgiu o escândalo envolvendo a marroquina Ruby, fazendo com que o projeto de lei contra as escutas telefônicas parecesse uma tentativa de acobertar os casos do premiê. Como muitos italianos acreditam que os políticos em geral são corruptos, eles não consideram que os indiciamentos de Berlusconi em múltiplos casos signifiquem que ele seja inescrupuloso. As violações em grande escala seriam uma forma amplificada de sua própria maneira de atuar como premiê.

É JORNALISTA DA "BLOOMBERG"

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