Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Escassez atinge papel-moeda na Venezuela

Governo fará licitação para imprimir cédulas de maior valor

O Estado De S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 21h29

CARACAS - A escassez de notas de alto valor na Venezuela – que obriga os cidadãos a transportar grandes pacotes nas carteiras – levou o Banco Central a abrir uma licitação para adquirir papel de impressão de cédulas.

O Banco Central da Venezuela abriu um concurso internacional em busca de uma empresa com “capacidade própria e disponibilidade para o fornecimento de papel-moeda” para imprimir notas de 50 e 100 bolívares, que são as mais escassas no país.

Em um país com inflação galopante, os venezuelanos levam em seus bolsos grandes feixes com notas de baixo valor e gastam muito tempo para contá-las em suas transações no comércio, supermercados e bancos. 

Na falta de notas de 50 e 100 bolívares, uma pessoa, por exemplo, deve usar as de 5 e 10 para comprar um jornal (que custa cerca de 100 bolívares) ou adquirir um quilo de batatas (300 bolívares).

A escassez de notas de 50 e 100 se acentuou nas últimas semanas em razão das distorções que a alta inflação provoca. Em 2014, ela alcançou 68,5% (última cifra oficial). No entanto, cálculos independentes estimam que o custo de vida na Venezuela chegou a três dígitos ao superar uma taxa anual de 100%.

Em 2003, foi estabelecido no país um férreo controle cambial, que atualmente prevê quatro tipos de câmbio no qual o do mercado paralelo é 110 vezes maior que a taxa oficial mais barata, de 6,30 bolívares para cada dólar.

Além disso, o governo monopoliza as divisas na Venezuela, que obtém 96% delas da venda do petróleo e importa ao menos 50% de todos os alimentos que consome. / AFP

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