REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Escassez na Venezuela atinge 83% da cesta básica, diz pesquisa

Instituto Datanálisis prevê inflação de 450% neste ano e diz que 72% da população não acredita na versão de Maduro para crise

O Estado de S. Paulo

27 Maio 2016 | 15h55

CARACAS - A escassez de produtos básicos na Venezuela atingiu 82,8% dos produtos da cesta básica em abril, indica uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 27, pelo Instituto Datanálisis, um dos mais respeitados do país. O levantamento de desabastecimento feito pelo Banco Central da Venezuela (BCV) deixou de ser feito regularmente a partir de meados de 2013, quando a crise começou a piorar. 

Segundo o diretor do Datanálisis, Luis Vicente León, o desabastecimento nos lares é menor que nos comércios, mas Caracas é a cidade que mais sofre com a escassez. "Há um nível de escassez em Caracas que em 2016 tem uma média de 82,8%", disse o economista.

Ainda de acordo com León, o nível de escassez em domicílios tem disparado nos últimos dois meses. "Estamos vendo o deterioramento dos números de maneira impressionante", acrescentou.

O Datanálisis calcula para este ano uma inflação de 450% - número abaixo dos 780% previstos pelo Fundo Monetário Internacional - e uma queda no poder aquisitivo da população de 40% em comparação com 2015. Os últimos dados oficiais divulgados pelo BCV são de dezembro e indicam uma inflação de 12 meses de 180,9%.

"Para uma pessoa comum que não está no mercado negro, ir ao supermercado é não conseguir comprar nada", disse León. Ainda de acordo com o analista, o ágio dos produtos no mercado negro aumentou vertiginosamente e não é registrado nos índices inflacionários. 

 

A inflação e a escassez de alimentos e remédios, produto da diminuição da oferta de dólares feitas pelo governo venezuelano à iniciativa privada e da corrupção e contrabando, é o principal sintoma da crise venezuelana. Ainda de acordo com a pesquisa, dois em cada três venezuelanos já tiveram de recorrer ao mercado negro para comprar comida. 

Ainda conforme o levantamento, 86% dos entrevistados têm a percepção de que a culpa é do governo. O presidente Nicolás Maduro acusa a iniciativa privada de parar de produzir propositalmente para tentar derrubá-lo, a chamada "guerra econômica". Para 71,8% dos venezuelanos, no entanto, a tese de Maduro é "pouco crível". 

A pesquisa foi feita entre 6 e 16 de abril com 800 pessoas de oito cidades do país e tem uma margem de erro de 3,46%. / AFP

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