Escassez tira azeite das mesas de Caracas

Apesar de esforço do governo, que subsidia alimentos em mercados populares, faltam produtos como carne bovina e farinha

LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2012 | 03h05

Programas estatais do governo de Hugo Chávez não têm sido bem-sucedidos no esforço de pôr fim à crônica escassez de alimentos na Venezuela. Nas últimas semanas, moradores de Caracas relatam a escassez de carne, farinha de milho e azeite. No domingo, o governo anunciou a distribuição de 190 toneladas de gêneros de primeira necessidade em 12 Estados do país por meio da rede estatal Mercal.

"Há semanas que venho aqui e não tem carne", reclamou a aposentada Marinés de La Cruz à reportagem do Estado em um supermercado no centro de Caracas. "O problema é que tudo aqui é importado. Às vezes, as coisas demoram para chegar."

Sem carne bovina, a aposentada teve de se contentar com a suína. Rosa Trujillo, funcionária do supermercado, diz que o fenômeno é comum. "Aqui está assim faz tempo: só tem linguiça, frango e porco."

Nas barracas estatais da rede Mercal, na favela 23 de Enero, reduto chavista a oeste de Caracas, moradores relatam também escassez de azeite e farinha de trigo.

No bairro, são comuns placas onde se vê o anúncio "Troca-se azeite" como maneira de aliviar a escassez do produto. "Tenho de andar muito para comprar farinha e azeite", diz a comerciante Nayani Carrillo. "Além disso, no Mercal, limitam a quantidade que você pode comprar."

Falta. Em alguns restaurantes de Caracas é rara a presença de azeite nas mesas. Os garçons servem uma pequena porção nos pratos, quando isso é requisitado. Segundo o governo, os preços do Mercal são em média 40% mais baratos do que os cobrados em mercados "capitalistas".

Dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) mostram que a importação agrícola venezuelana cresceu 200% nos dois primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2011.

Os produtos mais comprados nos mercados estatais, ainda de acordo com os dados do INE, são açúcar, arroz, leite em pó e azeite.

Segundo economistas críticos do chavismo, os programas são largamente subsidiados e o sistema de armazenamento de alimentos controlado pelo governo é precário. No ano passado, toneladas de alimentos acabaram apodrecendo num armazém estatal em Anzoátegui, causando revolta principalmente entre os opositores de Chávez.

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