Esclarecendo os segredos da política externa americana

Nos últimos 11 anos, grande parte da política externa e das iniciativas bélicas americanas foram conduzidas de maneira sigilosa. Em muitos casos, esse esforço foi bem-sucedido e cresceu até se tornar mais amplo do que propunham seus objetivos iniciais. Hoje, as operações secretas se expandiram e passaram a ter funções militares e diplomáticas, tornando indistintas as fronteiras da autoridade enquanto o público e o Congresso ficavam no escuro.

ANÁLISE: Bob Corker / Foreign Policy, É SENADOR AMERICANO, ANÁLISE: Bob Corker / Foreign Policy, É SENADOR AMERICANO, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2013 | 02h07

Para que haja garantias de continuidade das operações secretas devemos ter certeza de que nenhum presidente as utilizará de maneira errada. Por isso, é importante indagar em que medida a política externa americana é conduzida de maneira secreta. Infelizmente, a resposta é: exageradamente.

Imediatamente após o 11 de Setembro, as agências de inteligência americanas foram à luta contra o inimigo para proteger os interesses dos EUA e preparar o campo de batalha para nossas tropas. Essa iniciativa demonstrou o valor da ação rápida, decisiva e precisa das agências. Desde a criação da moderna comunidade de inteligência, em 1946, várias operações atestam a importância de ações secretas na defesa dos interesses americanos. Sua própria existência garante que as ações militares declaradas não sejam a única opção quando a diplomacia fracassa.

No entanto, a tendência de usar cada vez mais ações secretas também produz efeitos negativos e pode minar a política externa. Por exemplo, no início do ano, o presidente afegão, Hamid Karzai, disse ter recebido secretamente milhões de dólares da CIA por dez anos. A prestação de contas dessa transferência de dinheiro dos contribuintes americanos esbarraram no silêncio.

Se as informações forem corretas, elas apontam para graves problemas de política externa, porque uma das principais justificativas da ajuda ao Afeganistão sempre foi o fortalecimento do estado de direito e o combate à corrupção. O presidente, que se recusa explicar esses pagamentos, deve colaborar com o Congresso para garantir que a ajuda secreta e as atividades de inteligência ocorram de maneira coordenada.

Não estamos dizendo que os EUA deveriam evitar meios secretos para combater terroristas ou proteger seus interesses. Queremos só sugerir que é preciso haver salvaguardas para garantir que as políticas sejam coordenadas e as operações secretas não sejam usadas para evitar o debate e a supervisão do público.

As operações secretas são um instrumento valioso que, se usado de modo impróprio, perderá seu sentido. O que falta é uma liderança responsável no Congresso que responsabilize o governo em questões de política externa. Agora, os EUA tem uma chance de resolver o problema. Desde 2001, o Congresso permanece calado enquanto milhares de americanos enfrentam o perigo nos campos de batalha. Esse menosprezo incompetente do dever tem de acabar. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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