Escoceses protestam pró e contra independência

Pesquisas apontam empate técnico em plebiscito que decidirá se a Escócia se separará ou não da Grã-Bretanha; indefinição estimulou manifestações

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL / EDIMBURGO, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2014 | 02h02

A quatro dias do plebiscito sobre a independência da Escócia em relação à Grã-Bretanha, manifestações pró e contra a secessão ocorreram ontem no território escocês. Com pesquisas de opinião indicando empate técnico, militantes do "sim" e do "não", a extrema direita britânica e até unionistas irlandeses foram às ruas de Edimburgo em busca de cada voto dos indecisos, que deverão determinar o futuro da região.

Em Glasgow, manifestantes protestaram contra a BBC, acusada de parcialidade na cobertura da disputa eleitoral.

Pesquisas de opinião divulgadas entre o sábado e o domingo foram mais uma vez inconclusivas, apontando resultados que foram da vitória do "não" por 8 pontos, segundo o instituto Survation, ao triunfo do "sim" à independência, também por 8 pontos, de acordo com o instituto ICM.

Na "pesquisa das pesquisas", metodologia que agrega os resultados das diferentes sondagens, a tendência é de empate técnico, com ligeira vantagem para os unionistas, que teriam 51% dos votos válidos.

O empate motivou a mobilização intensa dos dois campos na semana final de campanha. Enquanto o primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, partiu ao interior pedindo pelo "sim", militantes realizaram comícios no sábado e no domingo em Edimburgo. Um deles ocorreu no Parque Meadow, um dos maiores da cidade.

"Nossas culturas e sociedades são cada vez mais diferentes, mas esse plebiscito tem mais a ver com o estado de bem-estar social, com o sistema de saúde, com os serviços públicos e sobre como nós os organizamos", afirmou ao Estado o professor universitário Martin Gaughan, de 57 anos. "Se formos independentes, teremos mais voz sobre todos esses temas."

Além de militantes do Partido Nacional Escocês (SNP, na sigla em inglês) e de eleitores do Partido Trabalhista britânico, o movimento pelo "sim" teve apoio de socialistas.

Em contraposição, a militância pelo "não" se lançou a uma contraofensiva para tentar conter o avanço dos independentistas, verificado ao longo dos últimos 40 dias. Em meio a eleitores favoráveis à secessão, o médico aposentado Michael Morrison, de 70 anos, tentava ontem distribuir panfletos em favor da unidade da Grã-Bretanha, prestando-se a argumentar com cada eleitor que encontrava. "Estamos em uma zona de alta pressão pelo 'sim', mas isso é democracia. Quando a consulta foi organizada, não se imaginava que seria tão apertado. Agora é a hora de lutar para cada voto", disse. Para ele, "há um certo tribalismo emocional do lado do 'sim', mas isso não vai produzir uma Escócia melhor".

Em uma semana que mobiliza todos os líderes políticos, ontem, a rainha Elizabeth se manifestou de forma oficial sobre o tema, sem tomar partido claramente, mas desejando que os escoceses "pensem com muito cuidado sobre o futuro".

Se a monarquia não tomou partido em público, a rede de TV BBC foi alvo de protesto de eleitores do "sim", em Glasgow, a cidade mais populosa do país, acusada de fazer uma cobertura tendenciosa em favor do "não". Em nota, a emissora disse realizar uma cobertura "justa e imparcial, conforme as diretrizes do plebiscito".

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