AP Photo/Frank Augstein
AP Photo/Frank Augstein

Escócia dará primeiro passo para organizar novo referendo de independência

Partido Nacional Escocês, da primeira-ministra regional Nicola Sturgeon, é favorável ao processo de separação e precisa do apoio dos Verdes para aprovar o pedido

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2017 | 11h37

LONDRES - O Parlamento da Escócia solicitará nesta terça-feira, 28, a Londres a organização de um novo referendo de independência, descontente com o Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) -, um cenário que testará a resistência dos britânicos.

Um dia antes da primeira-ministra britânica, Theresa May, notificar oficialmente a saída de Londres da UE, tornando a situação praticamente irreversível, a líder verá sobre a mesa a demanda de um referendo que já qualificou de "inaceitável", mas que poucos acreditam que conseguirá impedir.

Sem um artigo na Constituição que o proíba, May não tem praticamente outra opção a não ser tentar adiar o referendo o máximo possível para que não coincida com os dois anos de negociações com Bruxelas sobre os termos do divórcio entre a UE e o Reino Unido.

O Partido Nacional Escocês (SNP) da primeira-ministra regional Nicola Sturgeon, favorável à independência, precisa do apoio dos Verdes para aprovar o pedido, considerado praticamente certo. A votação deve acontecer por volta das 16h locais (13h em Brasília).

May viajou a Escócia na segunda-feira para uma reunião com Nicola, em uma última tentativa de aproximar as posições, mas nenhuma das duas mudou de opinião. "Minha posição é muito simples e não mudou", afirmou May em uma entrevista a uma agência de notícias britânica. "Agora não é o momento de falar de um segundo referendo de independência", destacou.

Antes, ela descreveu em um discurso a união de Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales como "uma força imparável".

Nicola, que deseja o referendo no fim de 2018 ou início de 2019, insistiu após o encontro que "os escoceses podem tomar uma decisão bem fundamentada sobre seu futuro" dentro deste prazo e não há motivo para esperar mais.

Após a aprovação da demanda de referendo pelo Parlamento escocês, o Parlamento britânico, onde os conservadores de May têm maioria absoluta, deverá se pronunciar a respeito. Tanto a Câmara dos Comuns como a dos Lordes precisam autorizar o processo, o que tecnicamente consistiria em aprovar a transferência a Edimburgo do poder de organizar o referendo.

May poderia aceitar a votação do Parlamento britânico, mas negar-se a assinar a transferência até depois do Brexit. Além da data, ela e Nicola teriam que negociar a pergunta a ser feita no referendo.

Na votação de 2014, a permanência no Reino Unido venceu por 55% a 45%. A decisão aconteceu com o compromisso de definir o tema por pelo menos uma geração. Mas os defensores da independência da Escócia alegam que em seu programa eleitoral constava que, em caso de "uma mudança material das circunstâncias", eles solicitariam um novo referendo.

A mudança aconteceu com o Brexit. Os escoceses votaram majoritariamente a favor da permanência na UE, mas seu voto se viu diluído a nível nacional. Nicola acusa May de não ter levado a Escócia em consideração nos preparativos para as negociações com Bruxelas, ao descartar, por exemplo, a permanência no mercado único europeu. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.