DYLAN MARTINEZ/REUTERS
DYLAN MARTINEZ/REUTERS

Escócia: pesquisa aponta vitória do 'não'

Segundo primeiras sondagens, entre 52% e 54% dos eleitores  rejeitaram a independência escocesa em plebiscito

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL A EDIMBURGO, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2014 | 18h45

 

 

 

 

 

 

 

 

 Pesquisas de opinião realizadas com eleitores que foram às urnas nesta quinta-feira, 18, na Escócia, indicam que o "não" à independência e à secessão da Grã-Bretanha deve sair vitorioso do histórico plebiscito.

Depois de 15 horas de votação, dois prognósticos divulgados no início da tarde e à noite indicaram vantagem para a campanha Better Together, unionista, que teria 54% dos votos segundo o instituto YouGov e 53% de acordo com Ipsos-Mori. O movimento independentista Yes Scotland perderia a disputa com entre 46% e 47% dos votos, segundo as sondagens.

A perspectiva de avanço dos unionistas com a proximidade do plebiscito já havia sido apontada por cientistas políticos da Universidade de Edimburgo e da Escola de Economia e de Ciência Política de Londres (LSE) ouvidos pelo Estado na última semana. Especialistas apontavam que a tendência a conservar o status atual avançaria com o medo da mudança, argumento explorado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Segundo pesquisa pós-voto divulgada pelo instituto Ipsos-Mori na quinta-feira, cinco horas após o início da votação, a perspectiva de vitória do "não" crescera nas últimas 24 horas de propaganda política. A sondagem com eleitores que já haviam ido às urnas indicou 53% para o "não" a 47% pelo "sim". Outro elemento indicando a tendência era a expectativa de vitória. Dos entrevistados, 46% estimavam que o "não" à independência sairia vencedor, enquanto 30% apontavam que o vencedor seria o "sim".

No final da noite, após o fechamento das urnas, YouGov anunciou o resultado de sua pesquisa, realizada com base em 1,8 mil eleitores que também haviam comparecido às urnas, além de outros 800 que votaram por correio. O resultado deixava para trás a perspectiva de um empate técnico: 54% para o "não", 46% para o "sim". "Com o risco de parecer tremendamente ridículo em poucas horas, eu diria que a chance de vitória do não é de 99%", anunciou Pete Kellner, presidente do instituto.

A perspectiva de vitória de manutenção da Grã-Bretanha também era majoritária no final da noite nos comitês Better Together, segundo informou ao Estado Iain McGill, um dos estrategistas regionais da campanha. "Os indicativos parecem muito bons", afirmou, evitando entrar em detalhes. Os prognósticos internos indicavam uma larga vitória, por 57% dos votos válidos, contra 43% da campanha Yes Scotland.

Apuração. A estrutura montada pela comissão eleitoral foi a maior da história do país, para fazer frente a uma afluência recorde às urnas: 89% dos 4,2 milhões de eleitores inscritos, a maior frequência desde 1945, ao final da 2.ª Guerra.

Nas seções eleitorais do centro de Edimburgo o fluxo de eleitores foi permanente, mas mais intenso pela manhã e no início da noite. Americana filha de escocês, Lucy Stuart votou por antecipação, via correio, mas ao sair às ruas de Edimburgo se disse surpresa com o clima de excitação no país. "Estou impressionada com a atmosfera da cidade. As pessoas estão na expectativa do resultado", contou a estudante de mestrado da Universidade de Edimburgo. "Eu votei ‘não’, mas parte de mim gosta da ideia do ‘sim’. O mais importante é a mensagem de democracia que estamos enviando. Espero que os políticos compreendam que queremos mudanças."

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