RUSSELL CHEYNE/reuters
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Escócia propõe referendo de independência do Reino Unido

Após vitória em eleição para o Parlamento Europeu, primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, apresentou lei para lançar as bases de um segundo referendo para divórcio dos britânicos

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 11h40

O governo da Escócia apresentou nesta quarta-feira, 29, uma lei para lançar as bases de um segundo referendo sobre a independência do país do Reino Unido, objetivo de novo assumido pela primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, após a incerteza gerada pelo processo de divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, o Brexit.

Para Sturgeon, uma nova votação antes de 2021 permite ao país “a oportunidade de ser uma nação europeia independente, em vez de ter de aceitar um Brexit que lhe é imposto”, escreveu ela em sua conta no Twitter, deixando os detalhes para explicar no Parlamento. Sturgeon já havia dito em abril que o seu governo apresentaria um projeto para estabelecer as regras para uma nova convocação às urnas sobre o tema.

O projeto de lei publicado surge depois que o Partido Nacional Escocês ter alcançado a sua maior votação nas eleições parlamentares europeias (38%), elegendo três deputados - um resultado impulsionado pela posição de Sturgeon durante a campanha, pedindo aos eleitores uma mensagem clara sobre a oposição da Escócia em relação ao Brexit.

A lei dos referendos (Escócia) não especifica a data de saída, a pergunta ou a data para a realização da consulta, a serem definidos por outra lei. A líder do SNP disse: “buscaremos um acordo para uma transferência de poder em um ponto apropriado para permitir um referendo de independência que esteja além do desafio a ser realizado mais tarde neste parlamento. É essencial que o governo do Reino Unido reconheça que seria um ultraje democrático se ele tentar bloquear tal referendo. De fato, qualquer posição desse tipo seria, a meu ver, totalmente insustentável”.

Sturgeon, que anunciou que queria uma nova legislação para um segundo referendo em junho de 2016, imediatamente após o Reino Unido ter votado a saída da UE, acrescentou: “Agora, mais do que nunca, é essencial mantermos as opções da Escócia abertas para que as pessoas tenham oportunidade de escolher um futuro melhor”.

O secretário de relações constitucionais do governo escocês, Michael Russell, fará uma declaração aos parlamentares na tarde de quarta-feira sobre os "próximos passos sobre o futuro da Escócia", incluindo planos para uma assembléia de cidadãos para discutir Brexit e independência. Os conservadores escoceses acusaram o Sturgeon de “ceder a seu partido, não falando pelo país”.

O porta-voz do partido conservador, Adam Tomkins, disse: “Não será surpresa para ninguém na Escócia que Nicola Sturgeon tenha decidido usar as eleições da UE para preparar o terreno para um segundo referendo sobre a independência. Não importa o que as pessoas na Escócia digam ou façam, a resposta do SNP é sempre a mesma - para nos tirar do Reino Unido”./ AFP e REUTERS

 

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