Escolas britânicas poderão proibir uso de véus por alunas

As escolas britânicas poderão proibir que as alunas usem véus que cubram o rosto por motivos de segurança e de aprendizagem, segundo novos guias sobre os uniformes escolares que serão lançados pelo governo.As novas diretrizes do Ministério da Educação não ordenam nemrecomendam que as escolas proíbam o véu, mas afirmam que estas poderão fazê-lo caso considerem conveniente ou após as consultas ao guia, afirmou nesta terça-feira, 20, um porta-voz do ministério.Os guias, que serão divulgados em breve pelo governo, respondem ao caso de uma menina de 12 anos que no mês passado não conseguiu que o Alto Tribunal de Londres revertesse a decisão de seu colégio de proibi-la a usar o "niqab", o véu islâmico que cobre todo o rosto.O Ministério da Educação prometeu divulgar os guias após o casodesse colégio situado no condado de Buckinghamshire, no sudeste do país, cujo nome, assim como o da aluna, não foi divulgado por razões legais.Até agora, os diretores de escolas estão autorizados a estabelecer a política do colégio sobre o uniforme escolar.Obstáculo ao aprendizadoO ministério considera que os colégios deveriam fazer um esforçopara aceitar roupas que correspondam à religião dos alunos, masespecifica a importância de que a vestimenta não represente umobstáculo ao ensino, de modo que professores e alunos possam manter contato visual.O colégio de Buckinghamshire argumentou que o véu dificultava acomunicação entre a aluna e os professores, sendo, portanto, umobstáculo à aprendizagem. Os professores devem saber se o aluno mostra entusiasmo e presta atenção, mas o véu impedia a comunicação, segundo a escola."Se o rosto de um aluno é oculto por qualquer razão, o professornão pode avaliar sua aprendizagem e fazer com que ele participe de discussões e atividades práticas", afirma o Ministério da Educação no guia.A diretora do colégio de Buckinghamshire, que também não teve onome divulgado por motivos legais, disse à rede de televisão BBC que seria muito útil contar com diretrizes do ministério sobre os uniformes."Não é correto que as escolas tenham que debater caso por caso", acrescentou a diretora, que não se arrepende de ter defendido a decisão do colégio nos tribunais."Para nós, é uma questão de princípios. Não deveria haverobstáculos para a comunicação entre alunos e professores", disse.

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