Escolha de vice atrai doações para a campanha de Romney

Paul Ryan, indicado para ser companheiro na chapa do republicano, é ligado a magnatas e bilionários americanos

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h08

As doações online para a campanha do republicano Mitt Romney à Casa Branca aumentaram em US$ 7,4 milhões desde sábado, quando ele anunciou o deputado Paul Ryan como seu companheiro de chapa. Esse montante, porém, é uma fração do total que os republicanos esperam arrecadar de magnatas e bilionários cortejados há muito tempo pelo próprio Ryan.

O candidato a vice terá no dia 21 uma "reunião financeira" com Sheldon Adelson, magnata de hotéis e cassinos de Las Vegas, que já contribuiu com US$ 10 milhões para a campanha de Romney. O encontro não terá a presença da imprensa, assim como ocorreu nos dois eventos de arrecadação nos quais Ryan compareceu no dia 13, em Denver, no Colorado.

O nome de Ryan está profundamente ligado a sua atuação no Congresso como defensor do ajuste nas contas públicas e da redução do papel do Estado na economia. Em seu sétimo mandato, ele preside o Comitê de Orçamento da Câmara. Sua proposta orçamentária para 2013 traz um resumo de suas convicções: redução de investimentos em obras de transportes e corte de 62% dos gastos em programas de assistência aos mais pobres.

Doações. O plano agradou os setores radicais de seu partido, entre eles o Tea Party, que apoiaram sua escolha como vice-presidente na chapa de Romney. Segundo o New York Times, enquanto a disputa pela vaga estava em curso, Ryan conduziu teleconferência para criticar a política de seguridade social do governo de Barack Obama e defender os cortes nos gastos públicos. A plateia era formada por membros do Americans for Prosperity, organização fundada pelos irmãos Charles e David Koch e inspirada na doutrina do Tea Party.

Os Koch são donos do segundo maior conglomerado de indústrias dos EUA. Charles tem uma fortuna de US$ 25 bilhões, e David é o segundo americano mais rico de Nova York. Ambos têm uma antiga relação com Ryan, que sempre é convidado para suas conferências bianuais sobre temas da atualidade, como o ajuste fiscal e a "falácia" do aquecimento global. Também foram os Koch responsáveis por uma doação de mais de US$ 100 mil para a campanha de Ryan à Câmara dos Deputados.

A situação financeira da campanha de Romney é mais confortável do que a de Obama. Os republicanos têm um total disponível de US$ 185,9 milhões e, nos últimos três meses, arrecadaram mais do que os democratas. A nomeação de Ryan imediatamente provocou reações da campanha de Obama - não só em razão das convicções do republicano na área orçamentária, mas especialmente pela sua capacidade de atrair doações.

O diretor da campanha de Obama, Jim Messina, descreveu a escolha de Ryan como um meio de "tranquilizar e inspirar os ideólogos ultraconservadores e os interesses empresariais". "Romney não precisa ou espera que Paul Ryan convença nem mesmo um eleitor indeciso a dar seu voto pra ele", afirmou. "A escolha é um grande investimento para ele."

Resposta. Em um dos e-mails enviados a milhões de simpatizantes e militantes democratas, Kelly Ward, diretora política do comitê do partido, fez um apelo por doações de US$ 3, no mínimo.

"Mitt Romney levantará dezenas de milhões de dólares em razão do anúncio de Paul Ryan como seu vice-presidente. As viagens de coleta de doação de Ryan começaram imediatamente. Não os deixe usar este momento para nos vencer", afirmou.

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