Escolha do papa é apenas um dos desafios dos cardeais

Oito anos após os cardeais do mundo inteiro terem se fechado na Capela Sistina para escolher um novo papa que pudesse continuar a tendência tradicionalista de seu antecessor, a escolha para suceder o Papa Bento XVI não parece clara. Os 115 cardeais que começarão a votar nesta terça-feira o farão com uma corrente de prioridades, considerações geográficas e posições doutrinárias em suas mentes. Ao escolher o novo papa, esses cardeais estarão em busca de um candidato que possa se mostrar sensível aos muçulmanos, que tenha habilidade de comunicação, e capacidade para governar pelos interesses do catolicismo na Europa e América do Norte.

Agência Estado

12 de março de 2013 | 09h17

A pergunta que predomina é como a igreja governa, particularmente a Cúria romana, assuntos importantes da agenda após meses de turbulências, incluindo o vazamento embaraçoso do escândalo que expôs o desperdício e as lutas internas dentro do Vaticano.

"Existe um divisor entre os cardeais que trabalham fora de Roma e os que trabalham na Cúria", revelou na segunda-feira o reverendo Thomas Reese, analista de assuntos católicos. "É preciso haver uma administração geral da Igreja para colocar as coisas em ordem", reiterou o cardeal aposentado Edward Egan, em entrevista recente. Ele salientou que durante os últimos 50 anos, a organização central do Vaticano se ampliou muito, ficou ineficiente e perdeu o foco sobre o que acontecia nas paróquias locais.

Os desafios enfrentados pelos 1,2 bilhão de membros da Igreja, entretanto, estão bem além de Roma. Durante os últimos 50 anos, nove papas negligenciaram a evolução da igreja além da segura posição na Europa e América do Norte para aumentar sua representação na África e na América Latina.

Analistas, incluindo o padre Reese, disseram que isso levou ao estabelecimento de vários grupos entre os cardeais que nem sempre ficaram apenas entre as fronteiras geográficas. Cardeais da América Latina, por exemplo, estão unidos em torno do sentimento de que são mal representados em Roma, mas continuam discordando de muitos outros assuntos. Os 11 cardeais da América do Norte, por outro lado, formam um grupo relativamente coeso, enquanto os 28 italianos estão divididos entre facções. As informações são da Dow Jones.

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