Escolha é teste da sensibilidade política dos venezuelanos

Cenário: Reuters

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h04

As eleições regionais de ontem na Venezuela serviriam de teste para o governador de Miranda, Henrique Capriles, que disputou a reeleição após ser derrotado pelo presidente Hugo Chávez em outubro. A votação testa a sensibilidade política da população diante da deterioração do estado de saúde do líder bolivariano, que há duas semanas anunciou uma recaída do câncer e designou o vice-presidente Nicolás Maduro como seu sucessor.

Capriles tem de vencer Jaua em Miranda para manter o capital político de líder da oposição. Em outubro, teve 45% dos votos na eleição presidencial - o melhor desempenho de um opositor desde que Chávez chegou ao poder em 1999 -, mas algumas pesquisas de opinião colocaram em dúvida sua capacidade de superar o ex-vice-presidente chavista.

A oposição ao presidente unificou-se nas eleições legislativas de 2010, sob a bandeira da Mesa da Unidade Democrática (MUD). O grupo reúne diversos partidos - da direita liberal à social-democracia - que se aglutinaram contra Chávez. No começo deste ano, Capriles venceu uma eleição primária contra outros nomes importantes da oposição, como o governador de Zulia, Pablo Pérez e a deputada María Corina Machado.

Uma eventual derrota em Miranda permitiria a outros nomes da oposição articularem-se, caso Chávez não tenha condições de assumir ou cumprir os quatro anos dos seis de mandato necessários para que novas eleições não sejam convocadas.

O problema, apontam analistas, é que a primeira vitória de Capriles em Miranda foi facilitada pela alta rejeição ao então candidato chavista: o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

Tido por algumas facções de dentro do próprio chavismo como ambicioso, corrupto e ligado aos militares, Cabello foi derrotado por Capriles. Jaua, acadêmico de perfil discreto e leal a Chávez, não tem a mesma rejeição, o que poderia complicar Capriles. A abstenção alta em setores tradicionalmente opositores do Estado preocupava a oposição.

Após o triunfo em outubro, o chavismo começou a articular-se politicamente para tirar da oposição os sete Estados por ela: Miranda, Zulia, Táchira, Carabobo, Nueva Esparta, Amazonas e Lara. A expectativa era repetir a "vitória perfeita" da eleição presidencial. Na ocasião, Chávez teve mais votos que Capriles em todos os 23 Estados da Venezuela, à exceção de Táchira, e em Caracas.

A "vitória perfeita" desestabilizaria o campo opositor, a poucos meses da posse de Chávez. Se o presidente não puder assumir o cargo, Cabello terá de convocar novas eleições. Se o líder bolivariano iniciar o quarto mandato, mas não puder terminá-lo antes do quarto ano, caberá ao vice-presidente organizar uma nova eleição.

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