Escolta de missão da ONU é atacada na Síria

Entre um e dez militares leais a Assad ficam feridos no atentado, que ocorreu horas depois de ameaça feita por líder rebelde sírio em entrevista

LOURIVAL SANTANNA, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h08

Uma bomba atingiu ontem um caminhão do Exército sírio que escoltava o comboio de observadores da ONU na província de Deraa, no sul do país, segundos depois da passagem do general norueguês Robert Mood, comandante da missão. Nenhum dos 12 militares da ONU ficou ferido. Informações desencontradas dão conta de um a dez militares sírios feridos.

O atentado ocorreu horas depois da publicação de uma entrevista com o coronel Riad Asaad, comandante do Exército Sírio Livre (ESL), na qual ele criticava a missão da ONU e avisava que os rebeldes atacariam com explosivos veículos militares das forças leais ao regime. "Não vamos ficar de braços cruzados porque não podemos tolerar e esperar enquanto assassinatos, prisões e bombardeios continuam apesar da presença dos observadores (da ONU), que foram convertidos em falsas testemunhas", disse Asaad ao jornal saudita Asharq al-Awsat. "Atentados a bomba não são parte de nossa ética, e não precisamos deles. Nosso objetivo é alvejar veículos militares e empregar exclusivamente artefatos explosivos."

"Estamos preparados para esse tipo de ameaça", disse ao Estado o capitão-de-mar-e-guerra brasileiro Alexandre Feitosa, encarregado do planejamento da missão. "Faz parte da nossa análise de risco. Não foi uma surpresa nem algo novo para nós."

Feitosa passou a noite em Homs e não estava no comboio, mas disse que conversou com os militares sírios que faziam a escolta e eles lhe asseguraram que apenas um tenente ficou levemente ferido. Um repórter da Associated Press que acompanhava o comboio afirmou que a explosão feriu o tenente e mais cinco soldados. Já o governo sírio falou em dez militares feridos.

Segundo ativistas citados pela Reuters, um ataque do ESL com foguetes portáteis contra um ônibus carregando milicianos do governo deixou sete mortos em Irbin, periferia de Damasco.

Até ontem havia 51 observadores da ONU na Síria, distribuídos por Damasco, Deraa, Homs, Hama, Idlib e Alepo, informou o fuzileiro naval brasileiro. Amanhã o efetivo deve chegar a 150 e até a semana que vem, 200. Do total de 300 aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU, entre 10 e 11 serão brasileiros.

Feitosa, que participou de patrulhas em Homs na terça-feira, disse que ouviu disparos esporádicos com intervalos de meia hora na cidade. Carioca, ele os comparou com os que se ouviam nos morros do Rio antes de sua ocupação pela polícia e pelas Forças Armadas. "Não são trocas de tiros", assegurou. "Às vezes podem ser tiros para o alto."

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