Escravidão atinge 10% das crianças haitianas

Além dos milhares de desabrigados do terremoto de 2010 e da miséria crônica, o Haiti vive hoje mais um drama: aproximadamente 10% das crianças haitianas trabalham em condições análogas à escravidão. A conclusão consta de um relatório divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h03

O estudo faz parte de uma iniciativa lançada pela agência da ONU, juntamente com os governos do Brasil e EUA, para eliminar o trabalho infantil no Haiti.

Pelas estimativas, 225 mil crianças haitianas são submetidas diariamente a trabalhos domésticos intensos em uma prática secular no país conhecida em creole como "restavek" ("ficar com", na tradução literal) - a troca de abrigo em uma casa por trabalhos com a limpeza e manutenção do local. Após o terremoto, milhares de crianças foram levadas a cidades que não haviam sido atingidas e onde viviam parentes. Muitas delas passaram a sofrer o restavek.

A migração dos menores foi incentivada por várias agências humanitárias e ONGs, as quais tentavam evitar a todo custo o aumento dos sequestros infantis. Mas o que a OIT alerta é que uma parte substancial dessas crianças que foram enviados a outras cidades acabaram sendo transformados em trabalhadores domésticos, atuando até 14 horas por dia numa espécie de "escravidão moderna".

Muitos são usados para trabalhar na cozinha e preparar as refeições das famílias. Mas só são autorizadas a comer os restos e não são pagas pelo trabalho.

"O resultado é um alto nível de má nutrição", indicou a OIT. Segundo a entidade, em média uma criança na condição de "restavek" é 4 centímetros mais baixa do que a média de sua idade no país e até 20 quilos mais magra.

"As vítimas são invisíveis e vulneráveis a todo o tipo de exploração", denunciou a agência das Nações Unidas.

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