Mohsin Raza/Reuters
Mohsin Raza/Reuters

40 milhões de pessoas no mundo ainda são vítimas da escravidão, diz ONU

Dados apontam que 2 milhões dessas vítimas estão nas Américas e cerca de 152 milhões de crianças são obrigadas a trabalhar

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 04h58
Atualizado 19 Setembro 2017 | 08h33

GENEBRA – Ao menos 40 milhões de pessoas no mundo ainda são vítimas da escravidão, enquanto 152 milhões de crianças são obrigadas a trabalhar. Dados divulgados nesta terça-feira, 19, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que a escravidão moderna é ainda uma realidade.

O levantamento aponta que mulheres e meninas são desproporcionalmente afetadas, e representam 71% das pessoas em situação de escravidão, o que corresponde a quase 29 milhões.

Pelo menos 16 milhões de pessoas trabalham em condições de escravidão como empregadas domésticas, na construção civil ou na agricultura. Na indústria do sexo, são 5 milhões de vítimas pelo mundo. Outras 4 milhões são obrigadas a trabalhar pelas próprias autoridades.

No caso das Américas, quase 2 milhões de pessoas ainda seriam vítimas da escravidão moderna, segundo o levantamento. São 24 milhões na Ásia e 9 milhões na África.

O que também chama a atenção das autoridades é que uma a cada quatro vítimas da escravidão é menor de idade - cerca de 10 milhões de crianças. Dessas, 5,7 milhões ainda são obrigadas a se casar. No que se refere ao trabalho infantil, o principal empregador é a agricultura, onde estão 70% dos menores. No setor de serviços, estão 17%.

O epicentro do problema do trabalho infantil continua sendo a África, com 72,1 milhões de pessoas. Na Ásia são 62 milhões, contra 10,7 milhões nas Américas.

Forçado 

Outro fator considerado pela ONU é o número de casamentos forçados, um indicador que também apontaria para uma situação de dependência total. Em 2016, 15,4 milhões de pessoas estariam nessa situação. Nos últimos cinco anos, ocorreram 6,5 milhões dessas uniões.

Para Guy Ryder, diretor-geral da OIT, o mundo não atingirá suas metas de desenvolvimento sustentável enquanto não aumentar de forma dramática os esforços para lutar contra essa realidade. "O fato de que, como sociedade, ainda temos 40 milhões de pessoas na escravidão moderna é uma vergonha para todos", alertou Andrew Forrest, presidente da fundação Walk Free. "Isso precisa acabar", apelou.

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