Escritor deixa cargo no Peru por discordar de 'anistia'

O escritor peruano Mario Vargas Llosa renunciou ontem à presidência da comissão encarregada da execução de um Museu da Memória no país. O motivo é que o escritor não estava de acordo com a decisão do governo de promulgar um decreto que, segundo ativistas, favorecerá violadores dos direitos humanos.

AE-AP, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 14h53

Após a renúncia "irrevogável" do intelectual, o Executivo peruano apresentou um projeto de lei para acabar com o decreto legislativo 1097, alvo da polêmica. Expedido em 1º de setembro, o texto estabelece que são prescritíveis os crimes contra a humanidade cometidos antes de 2003. Segundo Vargas Llosa, essa norma é uma "anistia apenas disfarçada".

Vargas Llosa disse ainda que a anistia acabava beneficiando várias pessoas vinculadas à ditadura do governo de Alberto Fujimori, entre 1990 e 2000. O escritor notou que entre os beneficiados estaria o próprio ex-ditador e seu braço direito, Vladimiro Montesinos.

O autor de "Conversa na catedral" foi nomeado presidente da Comissão Encarregada do Lugar da Memória, cujo propósito é pôr em marcha o projeto da construção de um museu e um local para se recordar os anos de violência política no Peru entre 1980 e 2000, que mataram quase 70 mil pessoas, segundo a Comissão de Verdade e Reconciliação.

Várias críticas ao projeto foram feitas, obrigando o Executivo a recuar e enviar um projeto ao Congresso para derrubar a norma. No domingo, o presidente Alan García disse que não se oporia, caso o Legislativo quisesse derrubar o texto.

Tudo o que sabemos sobre:
Vargas LlosaPerumuseumemória

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.