Escritor dos EUA testa na pele vida de cubanos

Patrick Symmes vive um mês em Cuba com salário médio da ilha de Fidel e Raúl; 'Emagreci 5 quilos e tive de roubar por um prato de comida', conta

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

Afirmando em quase todas as declarações que as mudanças previstas para Cuba em 2011 servirão para reforçar o socialismo na ilha, o presidente Raúl Castro tem anunciado medidas de abertura com a intenção de criar uma economia de mercado no país. Especialistas indicam que a principal mudança sentida no dia a dia será o fim do livreto de abastecimento, que serve para registrar a compra de alimentos subsidiada pelo Estado.

Para sentir na pele o que significa se alimentar como os cubanos, o escritor americano Patrick Symmes resolveu passar um mês vivendo apenas com o salário médio no país, US$ 15, tentando pagar pela comida o mesmo que os donos dos livretos. Ele relatou sua experiência na revista Harpers". Em entrevista ao Estado, Symmes disse que contou "cada caloria" que ingeriu durante os 30 dias em Cuba - limite para a permanência no país com visto de turista.

"Perdi cerca de 30 mil calorias, que eu precisaria para permanecer com o mesmo peso (de 99 kg). Perdi pouco mais de 5 kg. Nesse ritmo, morreria em seis meses", afirmou. "Obviamente, os cubanos sobrevivem melhor. Resolvem a situação com qualquer coisa que tenham de fazer para conseguir comer."

Symmes relatou que, durante sua estada, participou de um roubo em troca de um prato de comida. "Ajudei amigos a roubar 250 kg de cimento. Foi um ato muito corriqueiro, feito em plena luz do dia - mais uma transação do mercado negro do que um roubo. Às vezes, alguém paga para o inspetor fazer vista grossa. Não tive problemas (com as autoridades) e, como a maioria dos cubanos precisa fazer isso, quase ninguém tem problemas por isso. Tentei demonstrar exatamente como eles sobrevivem."

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