Escritora somali acusa Ocidente de apatia

Relativismo moral permite opressão em países islâmicos, afirma Ayaan

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 00h00

A escritora somali Ayaan Hirsi Ali pediu ontem que o Ocidente apóie grupos a favor da democracia, dos direitos da mulher e da liberdade em países muçulmanos. Em visita a Porto Alegre, ela deu entrevista coletiva pouco antes de uma conferência no Curso de Altos Estudos Fronteiras do Pensamento e do lançamento do livro A Virgem na Jaula: Um Apelo à Razão, que resume sua indignação com o fundamentalismo islâmico e o relativismo ocidental que, a pretexto de respeitar outras culturas, aceita agressões aos direitos humanos. "Vejo alguma forma de reação (ao fundamentalismo) em grupos muçulmanos que vivem no Ocidente e pequenas ilhas nas metrópoles muçulmanas", afirmou. Ela acusou o Ocidente de manter-se apático diante da opressão de crianças e mulheres em famílias, tribos e países islâmicos. Para Ayaan, o problema do relativismo moral é que ele faz distinção entre pessoas que devem obedecer às leis e minorias, que estariam dispensadas. "(Os intelectuais que aprovam isso) estão errados ao romantizar as tradições tribais e práticas que eles não imporiam a seus filhos", afirmou. Nascida em 1969, Ayaan sofreu mutilação sexual, aproximou-se dos fundamentalistas, mas fugiu de um casamento forçado e foi para a Holanda em 1992. Depois de cursar Ciência Política e Filosofia em Leiden, ela começou a falar publicamente sobre a repressão às mulheres no Islã e acabou eleita para o Parlamento. Em 2004, escreveu o roteiro do filme Submissão Parte Um, que falava sobre a questão. O diretor, Theo van Gogh, foi morto em Amsterdã por um marroquino que deixou um bilhete ameaçando Ayaan. Hoje a escritora vive nos EUA sob um rígido esquema de proteção.

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