Esforço diplomático se arrasta e Abbas faz apelo à Liga Árabe

Enquanto negociadores conversam no Cairo, presidente da Autoridade Palestina pede reunião urgente da entidade

CAIRO, / REUTERS, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h05

Representantes do governo israelense e do Hamas participaram ontem de um esforço diplomático no Cairo em busca de um cessar-fogo, mas não chegaram a um acordo. As reuniões na capital egípcia começaram logo no primeiro dia da operação Pilar de Defesa, mas a delegação de Israel, composta por quatro militares, só chegou ontem à cidade.

O presidente egípcio, Mohamed Morsi, teve encontros com Khaled Meshaal, líder exilado do Hamas, e Ramadan Shallah, líder do grupo Jihad Islâmica. Os resultados das conversas, no entanto, não foram divulgados pela presidência egípcia.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, pediu ontem uma reunião urgente da Liga Árabe para discutir a "agressão" a Gaza. O embaixador da AP na Liga, Barakat al-Farra, entregou o pedido formal à Secretaria-Geral da entidade.

Abbas também convocou mais protestos contra Israel. "Conclamo o povo palestino a intensificar suas manifestações pacíficas nas ruas contra a agressão", declarou o presidente.

A Autoridade Palestina controla a Cisjordânia, mas não a Faixa de Gaza, que desde 2007 está nas mãos do Hamas. A AP busca reconhecimento como liderança de um Estado Palestino na ONU.

Apesar da rivalidade, a organização enviou um representante para coordenar ações com o Hamas. Em comunicado, a Autoridade Palestina afirmou que seu enviado "foi instruído para somar esforços a fim de impedir uma invasão terrestre" ao território palestino.

Missão. O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, anunciou ontem que liderará uma comitiva da entidade que visitará Gaza amanhã. O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, fará parte da delegação. Os nomes das demais autoridades que integrarão a missão ainda serão anunciados pela Liga Árabe.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, também participou das reuniões no Cairo e acusou Israel de promover "terrorismo de Estado". No sábado, discursando em uma universidade na capital egípcia, o primeiro-ministro turco declarou que as autoridades israelenses buscam "um mar de sangue" na região.

O emir do Catar, Hamad bin Khalifa al-Thani, que participou das conversas no Cairo no sábado, sugeriu ontem a possibilidade de uma reação violenta de países árabes: "Israel não cessará com as agressões a não ser que haja uma resistência forte como já ocorreu em Gaza e com o Hezbollah no sul do Líbano".

Tudo o que sabemos sobre:
Paz inatingível

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.