Espaço aéreo brasileiro deve ficar livre das cinzas de vulcão, diz FAB

Nuvem atinge cidade no extremo sul do país; aeroportos de Buenos Aires e Montevidéu estão fechados.

BBC Brasil, BBC

13 de junho de 2011 | 16h39

As cinzas do vulcão Puyehue, no Chile, não devem avançar sobre o espaço aéreo brasileiro, se forem mantidas as atuais condições atmosféricas, segundo informou nesta segunda-feira a Força Aérea Brasileira (FAB).

De acordo com a Força Aérea, as cinzas atingiram nesta segunda uma parte do município de Chuí, no extremo sul do Rio Grande do Sul. A FAB informa que está "monitorando atentamente" a situação.

Anteriormente, a nuvem havia atingido o espaço aéreo da Argentina e do Uruguai, incluindo as capitais desses dois países, Buenos Aires e Montevidéu.

A nuvem de cinzas vulcânicas interrompeu as operações nos aeroportos da capital argentina, Ezeiza e Jorge Newbery (Aeroparque), além do aeroporto de Carrasco, em Montevidéu.

As cinzas do Puyehue permanecerão no espaço aéreo de Buenos Aires pelo menos até terça-feira, dificultando os voos nesse período, segundo informou nesta segunda-feira o comitê de crise argentino formado desde a erupção do vulcão.

De acordo com as redes de TV e sites de notícias da Argentina, os aeroportos de Buenos Aires ficarão fechados pelo menos até a tarde desta terça-feira.

Voos cancelados

A TAM informa que, até as 12h30 desta segunda-feira, 18 de seus voos internacionais foram cancelados devido ao vulcão, tendo Buenos Aires e Montevidéu como destino ou local de partida. A Gol não informou o número de cancelamentos.

Além de Argentina e Uruguai, também foram afetados os espaços aéreos de pelo menos outros quatro países, incluindo os dois principais da Oceania, Austrália e Nova Zelândia.

No domingo, a empresa australiana Qantas cancelou todos os seus voos tendo como origem ou destino a cidade de Melbourne, afirmando que as cinzas do Puyehue cruzaram o Oceano Pacífico e chegaram à Oceania.

Outras companhias aéreas, como Virgin Atlantic e Jetstar, também interromperam pousos e decolagens na região, deixando milhares de passageiros sem alternativas para viajar. Oito mil pessoas foram afetadas pelo cancelamento, inclusive passageiros para a Nova Zelândia.

O Chile está a mais de 9 mil quilômetros dos dois países afetados.

Na Argentina, muitos passageiros foram pegos de surpresa pela notícia do cancelamento dos voos, pois já estavam no aeroporto quando surgiu a informação do retorno dos resíduos vulcânicos e de suas consequências sobre o setor aéreo.

"Eu viajaria para visitar minha namorada que faz aniversário hoje", disse um argentino que estava no Aeroparque e foi entrevistado por TVs locais.

Erupção

O vulcão do complexo Puyehue-Cordón Caulle, no sul do Chile, entrou em erupção no dia 4 de junho e afetou, na semana passada, as operações nos principais aeroportos de Argentina, Uruguai, Paraguai e sul do Brasil.

Os voos para as principais cidades da Patagônia argentina continuam suspensos, por orientação das autoridades. Cidades como Bariloche, na província de Rio Negro, e Villa Angostura, na província de Neuquén, são algumas das mais afetadas pelo fenômeno natural.

O governo de Neuquén declarou emergência agropecuária, já que gado, cavalos e ovelhas não podem se alimentar porque as cinzas cobriram o pasto. Com a emergência, é mantida a ajuda federal na região.

No fim de semana, uma avalanche de cinzas interrompeu o trânsito num dos principais acessos à fronteira entre Argentina e Chile, a passagem conhecida como Cardenal Samoré.

Geólogos chilenos afirmaram ao jornal La Tercera que o vulcão Puyehue continua em erupção e é imprevisível dizer quando vai parar de emitir cinzas.

A previsão dos especialistas argentinos era que os ventos mantivessem as cinzas afastadas da região até quarta-feira.

* Colaborou Marcia Carmo, da BBC Brasil em Buenos Aires BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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