Espaço aéreo começa a ser reaberto no norte e no oeste da Europa

França já opera maior parte dos aeroportos; Reino Unido e Alemanha ainda enfrentam restrições

Agência Estado

20 de abril de 2010 | 14h10

 

LONDRES - O espaço aéreo da maior parte da França foi reaberto nesta terça-feira, 20, mas o da Alemanha permanecerá fechado até as 18 horas ( 15 horas de Brasília), embora a Deutsche Lufthansa e a Air Berlin tenham recebido permissão para alguns voos de "visão", em altitudes mais baixas e sob o controle de pilotos, não de instrumentos. Os transtornos são causados pelas cinzas do vulcão Eyjafjallajokull, na Islândia, que cobrem parte do céu europeu.

 

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Controladores do tráfego aéreo deram sinal verde para a retomada dos voos comerciais, mas as condições permaneciam variáveis em vários locais e algumas companhias tinham dificuldades para fazer planos. A Eurocontrol, agência que coordena o tráfego aéreo em 38 países da Europa, afirmou prever que 14 mil sejam realizados hoje. O número é praticamente a metade da média em um dia normal, que oscila entre 27 mil e 28 mil voos.

 

As companhias aéreas se apressavam para tirar suas aeronaves do solo. A alemã Lufthansa operará cerca de 200 voos hoje, entre eles a maioria dos adiados em dias anteriores, disse uma porta-voz. O ministro da Ecologia da França, Jean-Louis Borloo, disse à rádio RTL que três quartos dos voos internacionais previstos devem partir dos aeroportos de Roissy e Orly. A Air France-KLM afirmou que suas operações nesses dois terminais deve voltar ao normal.

 

A KLM, braço holandês da Air France-KLM, informou ter retomado hoje a maioria de seus voos intercontinentais e mais da metade de suas operações na Europa. A companhia informou que trabalhava para levar os passageiros presos de volta para suas casas o mais rápido possível.

 

Reino Unido

 

Os aeroportos na Escócia e no norte da Inglaterra reabriram nesta terça. Um porta-voz do operador de aeroportos BSS confirmou que os aeroportos em Glasgow, Edimburgo e Aberdeen estavam operando, mas outros - entre eles Heathrow, Stansted e Southampton - seguiam fechados.

A agência de Serviços Nacionais de Tráfego Aéreo do Reino unido informou, em sua última atualização, que o espaço aéreo sobre a Escócia e o norte da Inglaterra, até o aeroporto de Newcastle, no sul, continuará funcionando até a meia -noite (21 horas em Brasília), mas as restrições continuarão a valer no restante do país abaixo da altitude de 20 mil pés.

 

Cinzas

O vulcão da Islândia entrou em erupção na quarta-feira passada e lançou grandes quantidades de cinzas sobre o continente. Há o temor de que as partículas causem danos aos motores das aeronaves e possíveis acidentes. O serviço de controle de tráfego aéreo britânico (Nats, na sigla em inglês) informou que as últimas informações sobre o vulcão são de que a situação "continuará a ser variável".

Uma nova nuvem com cinzas vulcânicas do Eyjafjallajokull passará pelo Reino Unido e Dinamarca, mas não pela França, conforme previu hoje o Centro Consultivo Europeu sobre Cinza Vulcânica. A nova nuvem de cinza deve chegar aos céus europeus ainda nesta terça e o Reino Unido, em particular, deve sofrer mais transtornos.

Já a geofísica Sigrun Hreinsdottir, da Universidade da Islândia, afirmou que não houve sinais de aumento na atividade vulcânica. Segundo a especialista, a tendência é que o vulcão perca força. Gudrun Nina Petersen, do Escritório Meteorológico Islandês, disse que o Eyjafjallajokull está claramente expelindo menos cinzas.

Custos

Companhias aéreas e operadores de turismo continuavam a estimar o impacto financeiro do caos. A companhia irlandesa Aer Lingus calculou custos totais com os cinco dias de problemas entre 15 milhões e 20 milhões de euros. A companhia previu que o custo diário varia entre 4 milhões e 5 milhões de euros, como resultado das perdas nos negócios e no apoio aos passageiros que não podem voar.

O setor industrial também sente o problema nas rotas globais. A japonesa Nissan Motor informou hoje que suspenderá temporariamente parte de suas linhas de produção domésticas, pois não conseguia importar sensores da Irlanda. O vulcão islandês deixou pelo menos oito milhões de passageiros em terra e custou às companhias aéreas pelo menos US$ 1 bilhão. As informações são da Dow Jones.

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