Espanha abrirá portas para meio milhão descendentes

Cerca de 500 mil argentinos e uruguaiospodem virar "espanhóis" e, consequentemente, "europeus" apartir de janeiro do próximo ano, quando entrará em vigor a novalei de nacionalidade e a reforma do Código Civil da Espanha. De acordo com cálculos do governo espanhol, pelo menos 650mil descendentes diretos (filhos) de espanhóis residentes forada península Ibérica no mundo todo poderão obter a cidadaniaespanhola. Desse número, aproximadamente 50% são argentinos descendentesde pais espanhóis, os quais estarão em condições de iniciar ostrâmites de cidadania já no dia 1º de janeiro de 2003, de acordocom números do Ministério de Relações Exteriores da Espanha . Ainda de acordo com o governo espanhol, os filhos e netos depouco mais de 80 mil espanhóis registrados no Consulado emMontevidéu também vão se beneficiar da reforma da legislaçãoespanhola sobre cidadania, abrindo "esperanças" para aquelesque, empurrados pela maior crise econômica e financeira dahistória dos dois países, gostariam de migrar para a Europa embusca de uma situação melhor. Brasileiros, porém em número bem menor, também poderão optarpela cidadania espanhola a partir de janeiro de 2003. "A medidaé abrangente e beneficiará todos os filhos de espanhóis fora dopaís", informaram funcionários da Embaixada daEspanha em Brasília. A representação diplomática ibérica noBrasil, porém, não tem ainda dados sobre demanda de descendentesespanhóis no País que poderiam optar pela essa cidadaniaespanhola. Se as previsões do Ministério de Relações Exteriores daEspanha ficarem confirmadas, as solicitações de cidadaniaespanhola na Argentina e no Uruguai serão as mais altas jamaisvistas até agora, até porque a nova lei espanhola que entrará emvigor n o próximo ano beneficiará filhos de espanhóis sem limitede idade - o limite de 18 anos será eliminado -, sempre e quandoos pais tenham nascido na Espanha. Os netos também terãobenefícios, porém limitados, A legislação atual, por exemplo,outorga cidadania espanhola apenas a filhos de mães espanholasnascidos depois do dia 29 de dezembro de 1978. Ainda de acordo com o Ministério de Relações Exteriores daEspanha, a principal demanda de cidadania deverá ocorrer, alémda Argentina e Uruguai, na Venezuela, Peru e Equador, países commaior número de descendentes em direção à Espanha.EstrangeirosDe acordo com dados do Ministério do Interior, aEspanha se transformou, nos últimos 20 anos em uma dasprincipais portas de entrada de estrangeiros na Europa. Em 1981,por exemplo, os residentes estrangeiros no país eram apenas 198mil. Quase 20 anos depois, os imigrantes somavam 939 mil, dosquais 516 mil não eram de nenhum país europeu. Desse número, 187 mil eram argentinos, 15,8 mil equatorianos e 10,38 milbrasileiros. Ainda de acordo com dados do Ministério, a maioria (33%) dosimigrantes na Espanha trabalha no setor agropecuário. Outros 15%na construção e mais 15% em serviços domésticos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.