Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
EFE/ Ballesteros
EFE/ Ballesteros

Espanha 'acompanha' protestos em Cuba e pede liberação imediata de jornalista presa

Representantes da comunidade internacional têm se dividido nas reações aos atos

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 11h00

Na esteira de protestos históricos que vêm ocorrendo em Cuba, o  governo espanhol apelou nesta terça-feira, 13, às autoridades do país caribenho para que “respeitem” o direito à manifestação “livre e pacífica” e defendeu a aceleração do ritmo das reformas para enfrentar a crise econômica na ilha, de acordo com uma declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“A Espanha defende o direito fundamental de todos os cidadãos a manifestarem-se livre e pacificamente e apela às autoridades cubanas para que o respeitem”, diz a nota emitida um dia depois da tomada de posse do novo ministro dos Negócios Estrangeiros da Espanha, José Manuel Albares.

Horas mais tarde, o ministro Albares usou o Twitter para cobrar que das autoridades cubanas “a libertação imediata” da jornalista Camila Acosta, colaboradora do diário madrilenho ABC, detida após os protestos de domingo contra o governo do presidente Miguel Díaz-Canel.

“Defendemos os direitos humanos sem condições. Exigimos a libertação imediata de Camila Acosta”, escreveu o ministro, que assumiu o cargo na segunda-feira como parte de uma ampla remodelação do governo espanhol.

Camila Acosta, uma cubana de 28 anos, foi presa ontem, disse à AFP Alexis Rodríguez, editor-chefe internacional do jornal ABC.

Acosta colabora com o jornal espanhol há cerca de seis meses e também trabalha para o site oposicionista Cubanet, que informa que a repórter foi presa pouco depois de deixar sua casa.

“O povo cubano gritou que perdeu o medo. É hora de pressioná-lo a abandonar o poder. Se cedermos agora, teremos muitos mais anos de ditadura”, escreveu Camila Acosta na última mensagem publicada em sua conta no Twitter.

Alexis Rodríguez explicou que o diretor da ABC ligou para o Ministério das Relações Exteriores da Espanha nesta terça-feira pela manhã e que durante o dia tentaria falar com o embaixador espanhol em Havana “para que ele tente fazer algo por ela e libertá-la. "

Mais cedo, a nota emitida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiro expressa que “a Espanha, como país latino-americano, acompanha a situação em Cuba com grande interesse e de muito perto”, também defende o aumento das reformas empreendidas na ilha para enfrentar uma crise agravada pelos efeitos da pandemia e da queda do turismo.

O comunicado também expressa “preocupação com as graves carências” que a população enfrenta em Cuba e diz que está estudando formas de ajudar a ilha.

Alimentados pela crise econômica, agravada pela escassez de alimentos e medicamentos, bem como pelos cortes de energia durante várias horas por dia, milhares de cubanos saíram espontaneamente às ruas no domingo em dezenas de cidades de todo o país, sob os gritos de “temos fome”, “liberdade” e “abaixo a ditadura”.

Foi uma mobilização sem precedentes em Cuba, onde os únicos comícios autorizados são geralmente os do Partido Comunista.

Os protestos do último domingo estão sendo considerados a maior demonstração de insatisfação ao regime comunista, em território cubano, desde 1994.

Representantes da comunidade internacional se dividiram nas reações aos protestos. EUA, União Europeia e ONU pediram respeito ao direito de manifestação do povo cubano nesta segunda-feira, 12, após o governo reprimir os manifestantes e convocar apoiadores a "enfrentar" as provocações na noite de domingo.

A Rússia pediu respeito à soberania cubana, enquanto o México ofereceu apoio ao governo cubano para enfrentar a atual crise.

O endurecimento do embargo dos EUA, em vigor desde 1962, bem como a ausência de turistas devido à pandemia mergulharam Cuba numa profunda crise econômica e geraram uma agitação social crescente. / AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.