Espanha acusa ex-líderes chavistas de lavagem

Jornal El Mundo diz que eles teriam depositado em banco de Andorra fundos de subornos milionários

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

17 Março 2015 | 02h02

Pelo menos três ex-líderes de alto escalão do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em março de 2013, foram acusados de lavagem de dinheiro pela Unidade Espanhola Anti-Lavagem (Sepblac). Segundo revelou ontem o jornal espanhol El Mundo, quatro ex-vice-ministros, um chefe de inteligência, um executivo da estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) e um empresário teriam depositado no banco Banca Privat d'Andorra (BPA) fundos provenientes de subornos.

A investigação amplia as suspeitas de que líderes bolivarianos tenham feito lavagem internacional de dinheiro. No fim da semana passada, a Financial Crimes Enforcement Network, agência do Departamento do Tesouro dos EUA especializada em investigação de crimes financeiros, já havia apontado o envolvimento de autoridades venezuelanas em transações criminosas internacionais.

Um total de US$ 4,2 bilhões teriam sido lavados por membros do governo Chávez. No início de fevereiro, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ONG com sede em Washington, já havia revelado que a lista de clientes do banco HSBC beneficiados por estratégias de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais envolvia dirigentes de governos chavistas.

A investigação foi possível após revelação de uma lista de clientes do BPA, que intermediou a migração de capitais de origem escusa para paraísos fiscais. Os envolvidos são Nervis Gerardo Villalobos, ex-vice-ministro de Energia, Javier Alvarado, ex-vice-ministro de Desenvolvimento, Alcides Rondón, ex-vice-ministro do Interior, Carlos Aguilera, ex-diretor do Serviço de Inteligência da Venezuela, além de dois empresários, Rafael Jiménez e Omar Farias.

Maduro. O presidente da Venezuela anunciou ontem, via Twitter, a nomeação de Henry Ventura como novo ministro da Saúde. Além disso, a presidência aprovou um plano de distribuição de 18 mil toneladas de leite em pó em março e abril.

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