REUTERS/Manaure Quintero
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Espanha afirma que limitará atividades políticas de Leopoldo López

Segundo o chanceler Josep Borrell, a condição de hóspede na embaixada em Caracas implica em uma limitação na atuação do líder opositor, o que deve contribuir para Caracas respeitar a imunidade do território da sede diplomática

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 10h09
Atualizado 03 de maio de 2019 | 10h24

BEIRUTE - O ministro das Relações Exteriores interino da Espanha, Josep Borrell, disse nesta sexta-feira, 3, que o governo de Pedro Sánchez limitará as atividades políticas do líder opositor venezuelano Leopoldo López, que se encontra na residência do embaixador espanhol na Venezuela.

"A Espanha não vai permitir que sua embaixada se transforme em um centro de ativismo político", disse Borrell a jornalistas no Líbano, onde faz uma visita oficial. Borrell lembrou que López teve encontros na quinta-feira com a imprensa na embaixada e reiterou que "a partir de agora, isto será regulado".

O ministro especificou que, em função do direito internacional, a figura de "hóspede" na embaixada implica naturalmente uma limitação em sua atividade política. "Temos confiança de que, nestas condições, a Venezuela vai respeitar naturalmente a imunidade do território da embaixada da Espanha", acrescentou Borrell.

O ministro reiterou que a Espanha "não entregará" López às autoridades venezuelanas, apesar de o Tribunal Supremo do país ter emitido uma ordem de detenção contra o político.

Além disso, Borrell lembrou que López está na sede diplomática na qualidade de hóspede e não pode solicitar asilo político porque a legislação espanhola só permite que isto seja feito dentro do território espanhol.

O ministro também revelou que falou sobre a situação de López com o governo de Nicolás Maduro, com o qual mantém uma "relação cortês", apesar de a Espanha ter reconhecido o opositor Juan Guaidó como presidente interino.

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela emitiu na quinta-feira uma ordem de detenção contra López, que cumpria desde 2014 uma condenação de 14 anos de prisão em Caracas, que foi convertida para prisão domiciliar em 2017.

López foi libertado na terça-feira por um grupo de militares com um "indulto presidencial" do presidente do Parlamento Juan Guaidó, que é reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

Guaidó pediu às forças armadas da Venezuela que se voltassem contra o governante Nicolás Maduro, mas apenas um pequeno grupo de militares participou da rebelião, que fracassou poucas horas depois. Segundo a ONU, ao menos 5 pessoas morreram nas manifestações antichavistas convocadas por Guaidó e López. / EFE

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