Espanha afirma que processo de paz com a ETA tem bases sólidas

O processo de paz iniciado após o anúncio de cessar-fogo permanente feito pela organização terrorista ETA há um mês continua tendo "bases sólidas", apesar dos atos violentos ocorridos no fim de semana no País Basco e em Navarra, afirmou nesta segunda-feira o governo espanhol. Após o incêndio de uma loja, no sábado, na região de Navarra e do lançamento de coquetéis molotov, no domingo, contra uma seguradora no País Basco, o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que é cedo para tirar conclusões. Em entrevista à rádio SER, Pérez Rubalcaba pediu que se esperem os resultados da investigação das forças de segurança para concluir se a ETA ordenou esses ataques. O Executivo do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero reiterou que qualquer ato violento ou de extorsão cometido pela organização terrorista "invalida" o processo e impossibilita a abertura de negociações oficiais entre as partes. Os atos violentos do fim de semana foram os primeiros desde que o cessar-fogo da ETA entrou em vigor, em 24 de março, e geraram dúvidas sobre as verdadeiras intenções do grupo armado. O ministro do Interior disse que será necessário esperar vários dias para determinar se o ocorrido corresponde a uma decisão da ETA de reiniciar a violência e as ameaças contra empresários e políticos, ou se são fatos isolados com "outras motivações". "Temos a firme vontade de ir até o fim e saber exatamente o que aconteceu", afirmou Pérez Rubalcaba, que se comprometeu a informar os partidos de oposição e a opinião pública sobre os resultados da investigação. O ministro lembrou o recente caso das cartas ameaçadoras recebidas por empresários, que demorou vários dias para ser esclarecido e que finalmente deixou claro que "não há uma vontade da organização de continuar com estes mecanismos de extorsão, e sim ao contrário". O processo iniciado "levará (...) à paz no final", ressaltou Pérez Rubalcaba, que acrescentou que isso acontecerá se o "caso for bem tratado, e tratá-lo bem é, entre outras coisas, ser muito firme contra qualquer tipo de violência que possa ocorrer". A presidente do Parlamento autônomo basco, a nacionalista Izaskun Bilbao, disse nesta segunda que espera que o Batasuna (ilegalizado braço político da ETA) "se pronuncie" sobre os últimos atos de violência e "diga que são incompatíveis com o processo de paz que começaram no País Basco". Em entrevista à rede basca de televisão ETB, Bilbao disse que desde que a ETA declarou o cessar-fogo "foi aberto um período de esperança e de oportunidade para a paz", e pediu a colaboração tanto dos políticos como da imprensa para que "este trajeto seja tranqüilo e sereno".

Agencia Estado,

24 Abril 2006 | 09h59

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