Congresso da Espanha aprova plano de cidadania para judeus

Descendentes de sefarditas terão de apresentar documentos comprovando origens, além de passar em prova de idioma e cultura espanhola

O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 16h57

MADRI - A Câmara Baixa do Parlamento da Espanha aprovou nesta quinta-feira uma lei para outorgar a cidadania espanhola aos descendentes de judeus que se viram obrigados a deixar o país, se converter ao catolicismo durante a Inquisição, cinco séculos atrás.

Os legisladores aprovaram a proposta realizando uma série de emendas, por isso não houve somente uma contagem de votos. Com a nova lei, os judeus sefarditas podem começar a solicitar a cidadania espanhola a partir de outubro. Eles terão uma janela de três anos para conseguir o passaporte espanhol, juntamente com o direito de trabalhar e viver em qualquer dos 28 países da União Europeia.

"Hoje começa uma nova etapa na história das relações entre Espanha e o mundo judaico", afirmou em comunicado a Federação Espanhola de Comunidades Judaicas. "Um novo período de reunião, diálogo e harmonia reintegram uma parte da nação que foi injustamente dividida até este dia."

A votação na Espanha ocorre pouco após Portugal aprovar uma medida similar para um plano de cidadania para judeus sefarditas. Os portugueses também expulsaram essa comunidade do país no passado.

Muitos dos possíveis solicitantes pensaram que a lei espanhola, na qual se trabalha desde 2013, teria poucos requerimentos além da pesquisa exaustiva dos ancestrais dos solicitantes por parte de organizações judaicas. Esse é o caso da lei portuguesa, proposta depois da espanhola, mas que já entrou em vigor em 1º de março.

Mas os legisladores espanhóis acabaram apresentando um processo de cidadania para judeus sefarditas, muito similar ao que terão de realizar os moradores permanentes que buscam a cidadania espanhola. Os solicitantes sefarditas deverão passar em uma prova de espanhol básico, assim como em uma prova de cultura espanhola e de eventos da atualidade. Devem ainda estabelecer um vínculo com a Espanha atual, que pode ser algo simples como doar a uma instituição de caridade espanhola ou tão custoso quanto a compra de uma propriedade no país.

A federação judaica da Espanha já recebeu mais de 5 mil pedidos de informação sobre a nova lei. Ninguém sabe quantas pessoas serão elegíveis, mas se estima que poderiam ser milhões. / Associated Press

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