Espanha atribui acidente com trem à 'imprudência' dos passageiros

Pelo menos 13 pessoas morreram e outras seguem em estado grave após atropelamento

Agência Estado e Associated Press

25 de junho de 2010 | 09h03

 

CASTELLDEFELS - Funcionários espanhóis afirmaram na noite da quinta-feira que o acidente ferroviário que matou pelo menos 13 pessoas, várias delas latino-americanas, foi culpa "da imprudência" das vítimas, que cruzaram a ferrovia diante de um trem expresso. "Tudo parece indicar que esse lamentável acidente se produziu por causa da imprudência cometida por parte daqueles passageiros que tentaram atravessar a via saltando diretamente da estação, algo que é totalmente proibido", disse o ministro de Fomento, José Blanco.

 

O cônsul-geral do Equador, Freddy Arellano Ruiz, afirmou que os passageiros não viram as placas de saída e se dirigiram por engano a uma passagem elevada, que estava fechada desde que, em 2009, a estação foi remodelada. Blanco rechaçou as acusações de sinalização ruim na estação e insistiu que os passageiros deveriam ter sabido que "nunca, nunca, nunca se cruzam as vias". O secretário nacional de Infraestrutura, Víctor Morlán, admitiu que a passagem estava fechada desde o ano passado, mas insistiu que havia sinalização suficiente sobre como se chegar à praia.

 

Pelo menos 14 pessoas se feriram no acidente, ocorrido pouco antes da meia-noite da quarta-feira. Vários grupos de jovens desceram de um trem na estação e lotaram a passagem subterrânea que levava para a praia, o que teria levado cerca de 30 deles a cruzar a ferrovia correndo. Eles não viram, porém, um trem expresso que não pararia na estação se aproximando.

 

Entre as vítimas, havia cinco equatorianos, dois bolivianos e dois colombianos. Foi o acidente mais grave no país desde 2003. Em sua maioria, eram jovens que iam à praia de Castelldefels, no sul de Barcelona, para celebrar a Noite de São João. Um dos feridos estava em estado muito grave e outros dois, em estado grave, segundo as autoridades. Exceto por uma mulher de cerca de 40 anos, todos os feridos tinham menos de 20 anos.

 

O trem expresso chegou a tocar sua buzina, enquanto se aproximava da estação. Ainda que se saiba que a maioria das vítimas era formada por latino-americanos, as autoridades não divulgaram suas identidades nem deram detalhes sobre as nacionalidades. A identificação dos corpos mutilados "não será fácil e não será rápida", previu o ministro do Interior da Catalunha, Joan Saura.

 

Investigações

 

Segundo o jornal espanhol El País, as autoridades seguem buscando objetos pessoais que ajudem na identificação das vítimas. O maquinista do trem passou pelo teste do bafômetro - não tinha álcool no sangue - e recebe assistência psicológica pelo ocorrido. Segundo as autoridades, ele conduzia o veículo na velocidade adequada e não tinha a obrigação de reduzi-la porque não faria paradas na estação.

 

Blanco insiste que a estação de Castelldefels cumpre "todas as normas de segurança vigentes". As autoridades asseguraram que dez vigilantes iniciariam o expediente apenas sete minutos depois do acidente para regular o fluxo de passageiros devido ao festival. Segundo diversas fontes, os trens das redondezas circulavam com 700 passageiros aproximadamente, nível normal para o dia de São João.

Tudo o que sabemos sobre:
Espanhaacidentetremimprudência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.