ÁNGEL DÍAZ/EFE
ÁNGEL DÍAZ/EFE

Espanha convoca embaixador da Venezuela após declarações de Maduro

Presidente disse que prepararia 'respostas integrais' contra Madri após Congresso espanhol aprovar resolução que pede libertação de políticos venezuelanos

O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 10h21

MADRI - O Ministério das Relações Exteriores da Espanha convocou nesta quarta-feira, 15, o embaixador da  Venezuela em Madri, Mario Ricardo Isea, para expressar o mal-estar e rejeição do governo pelas últimas declarações do presidente venezuelano Nicolás Maduro, afirmaram fontes diplomáticas.

Maduro criticou ontem a resolução aprovada no Congresso dos Deputados espanhol a favor da libertação de políticos venezuelanos presos, e disse que preparará um conjunto de "respostas integrais" para enfrentar Madri.


Isea foi recebido no ministério pelo diretor-geral da região ibero-americana, Pablo Gómez Olea. O embaixador permaneceu na chancelaria por cerca de dez minutos e saiu sem dar declarações.

O Congresso dos Deputados pediu ontem a libertação "imediata" do líder opositor venezuelano Leopoldo López, do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e de outros políticos do país presos pelo governo de Maduro.

A resolução, formulada pelos partidos PP e PSOE, pede que o governo espanhol tome todas as medidas necessárias perante as autoridades venezuelanas e a comunidade internacional para conseguir a libertação dos líderes opositores.

"Eu ordenei à chancelaria e ao conselho de vice-presidentes de governo que analisemos a agressão que estamos sendo vítimas em nossa pátria venezuelana por parte das elites corruptas e corrompidas da Espanha e preparemos um conjunto de respostas integrais", disse o presidente durante seu programa de rádio e televisão.

"Estou preparado para enfrentar Madri", disse Maduro. O presidente afirmou ainda que "todos os dias" parte da Espanha "um ataque" contra Venezuela com informações que só buscam "semear o medo e o ódio".

As relações entre Espanha e Venezuela se desgastaram no final de outubro do ano passado, quando o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy - em sua condição de líder do Partido Popular - recebeu Lilian Tintori, esposa López

O opositor está preso desde 18 de fevereiro de 2014 em uma prisão militar de Caracas por sua suposta responsabilidade em atos de violência durante as manifestações antigovernamentais do início de 2014, que deixaram 43 mortos.

O encontro provocou mal-estar e Maduro chamou seu embaixador em Madri para consultas. Isea só retornou para a Espanha em fevereiro deste ano.

Ontem mesmo, horas antes da aprovação no Congresso da resolução sobre os opositores detidos, o embaixador disse em um ato público que os partidos espanhóis não deveriam "fazer o jogo" de quem busca a impunidade sem um julgamento apropriado. / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelaEspanhaNicolás Maduro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.