Espanha critica manifestação da torcida do Barcelona

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, criticou nesta segunda-feira a torcida do Barcelona pela exibição de um mosaico a favor da independência da Catalunha e pelos gritos de guerra separatistas entoados pelos torcedores do time catalão durante o clássico com o Real Madrid, disputado ontem.

AE, Agência Estado

08 de outubro de 2012 | 11h21

Na avaliação do chanceler, a atitude dos torcedores "prejudica a imagem do país". Também segundo García-Margallo, as manifestações de independência no Estádio Camp Nou no domingo "passam a impressão de divisão interna" em um momento no qual a Espanha precisa de unidade nacional para superar a crise.

O Barcelona é historicamente ligado ao nacionalismo catalão. O episódio ocorrido ontem coincide com a intensificação do sentimento separatista na Catalunha.

Economicamente, a região autônoma da Catalunha, situada no nordeste da Espanha, é a mais forte do país; no entanto, é também uma das que mais precisa da ajuda financeira do governo central no momento para rolar sua dívida.

Recentemente, o Parlamento regional da Catalunha votou em favor da realização de um referendo de autodeterminação, mas o governo central espanhol já informou que pretende barrar a iniciativa.

A manifestação - Ontem, os torcedores catalães aproveitaram o clássico entre Barcelona e Real Madrid, realizado no Camp Nou pela sétima rodada do Campeonato Espanhol, para manifestar o apoio ao referendo proposto pelo presidente regional, Artur Mas, sobre a independência da região.

Exatamente aos 17 minutos e 14 segundos do jogo, os torcedores presentes no estádio cantaram em coro para pedir a separação da Catalunha. O horário faz referência ao ano de 1714, quando um levante catalão foi sufocado pela monarquia na Espanha. No estádio lotado por mais de 90 mil pessoas, a maioria gritou por independência.

No episódio conhecido como Guerra da Sucessão Espanhola, apesar do heroico combate, a Catalunha teve de render-se às tropas do pretendente francês ao trono, Filipe V de Espanha (conhecido como Filipe de Anjou, era neto do rei francês Luís XIV). O novo rei incorporou os territórios da antiga Coroa de Aragão sob o nome de Catalunha. A região deixou de ter um Estado próprio (a Generalitat e o Conselho de Cento), perdeu os seus direitos e foi incorporada definitivamente ao Reino da Espanha.

Além dos gritos ensaiados pelos torcedores do Barcelona, diversas faixas e bandeiras pedindo a separação da região foram vistas nas arquibancadas do Camp Nou. Em compensação, a pequena torcida do Real Madrid presente no estádio do rival tinha algumas bandeiras da Espanha, numa espécie de defesa da unidade do país. As informações são da Associated Press.

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