Espanha era "alvo mais fraco" para atentados, diz testemunha

Radicais islâmicos decidiram realizar atentados em trens de Madri porque a Espanha era o alvo mais fácil dos três principais países envolvidos na invasão do Iraque, afirmou uma testemunha na segunda-feira, durante o julgamento de homens acusados pelos ataques de 2004. O ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, reuniram-se com o presidente dos EUA, George W. Bush, em março de 2003 a fim de discutir como obter apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para aprovar uma resolução autorizando a ação militar. "A Espanha foi a escolhida por ser o elo mais fraco do grupo de Açores", disse uma testemunha identificada apenas como um chefe de polícia espanhol. As declarações foram dadas diante da corte encarregada de julgar os 29 réus acusados de envolvimento nos atentados, o mais violento inspirado pela Al-Qaeda ocorrido na Europa. A testemunha não teve sua identidade revelada por motivos de segurança. O chefe de polícia prestou depoimento por detrás de uma cortina. Histórico do atentado Bombas atingiram quatro trens no começo da manhã de 11 de março de 2004, matando 191 pessoas. Dois dias mais tarde, foi encontrado um vídeo no qual um grupo afirmava ter realizado os atentados em nome da Al-Qaeda e que a ação seria uma vingança pelo fato de a Espanha ter enviado soldados para o Afeganistão e ter dado apoio à guerra no Iraque. No dia seguinte, os espanhóis foram às urnas para impor uma derrota ao Partido Popular, de Aznar (então no poder), e eleger os socialistas que haviam prometido, durante sua campanha, retirar os soldados do Iraque. Segundo o chefe de polícia, os planos do atentado ganharam força em outubro de 2003, sete meses depois da invasão do Iraque, e as forças de segurança haviam avisado o governo sobre o risco "bastante crítico" de um atentado ser realizado por um grupo islâmico. "Estávamos cientes de que havia aumentado a possibilidade de ataques contra alvos espanhóis", afirmou. Outros sete suspeitos de envolvimento nos atentados explodiram bombas no apartamento em que estavam quando a polícia os cercou, quase um mês depois dos ataques. E outros quatro estão foragidos. Um deles, segundo suspeita a polícia, pode ter morrido em um atentado suicida ocorrido no Iraque. O julgamento deve terminar em julho.

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