Espanha: greve geral tem 58 detidos e saques

A greve geral nacional que ocorreu nesta quinta-feira na Espanha começou pacífica, mas antes do meio dia manifestantes entraram em choque com a polícia nos centros de Madri e Barcelona. Pelo menos 58 pessoas foram detidas e nove ficaram feridas, informou uma funcionária do Ministério do interior, Cristina Díaz. Em Madri, manifestantes invadiram e destruíram uma lanchonete do McDonald''s. Em Barcelona, multidões jogaram vários objetos contra policiais e provocaram pequenos incêndios nas avenidas. A polícia espanhola reagiu. Policiais civis à paisana espancaram manifestantes com cassetetes em alguns pontos de Madri. Em outras ruas, policiais protegeram lojas ameaçadas de saques. Mas a principal manifestação em Madri, com centenas de milhares de pessoas convergindo para a Puerta del Sol, foi pacífica. Centenas de milhares de pessoas também protestaram em Valência e Sevilha.

AE, Agência Estado

29 Março 2012 | 15h41

Em Barcelona os confrontos de rua também foram violentos. Uma multidão destruiu e incendiou uma loja de café da Starbucks. El Mundo falou em "outra batalha campal" no centro de Barcelona. A indústria automotiva da Espanha, que está concentrada na Catalunha, parou. Operários não foram trabalhar nas fábricas das montadoras SEAT e Nissan, informou El Mundo. Os metalúrgicos protestam contra a reforma trabalhista defendida pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy, de centro-direita.

A greve, convocada pelos dois maiores sindicatos espanhóis, foi o primeiro desafio às medidas de austeridade e reformas do primeiro-ministro Mariano Rajoy. A greve atraiu o apoio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que esteve no poder até dezembro e representa a maior oposição no Parlamento, e também do bloco Esquerda Unida.

Nas ruas do centro de Madri havia um pouco mais de trânsito do que o normal, já que mais pessoas usaram seus carros para ir para o trabalho. O governo regional da capital entrou num acordo com as operadores de transporte público para que operassem com no mínimo 30% de sua capacidade. Em Madri, a Prefeitura disse que a adesão à greve foi de 26% do funcionalismo público, de acordo com o jornal El País.

Na estação de metrô e trem Sol havia menos atividade do que de costume. Lidia Castillo, garçonete de um restaurante próximo, disse que havia menos pessoas do que o normal no trem, que a trouxe do subúrbio de Villaverde. Segundo ela, os trens passam em intervalos de 20 a 30 minutos, em vez dos 10 a 15 minutos habituais.

Grupos de manifestantes pacíficos apitavam e agitavam bandeiras. Um pequeno grupo parou em frente a um café e colou adesivos na vitrine, antes de um garçom sair e mandá-los embora. "Greves não resolvem nada", disse o garçom Andres.

Em outras partes de Madri, seis policiais ficaram levemente feridos em confrontos com grupos sindicais e manifestantes contrários às políticas de austeridade, informou um porta-voz do Ministério do Interior. Manifestantes bloquearam estradas na Catalunha e em Valência, no leste do país, e fecharam parques industriais em Zaragoza, no norte, de acordo com uma associação de empresas de transporte.

A lei de reforma trabalhista tem como objetivo tornar mais fácil para as empresas demitir e contratar funcionários e é vista pelo governo com uma forma de reduzir a taxa de desemprego no país, que é de 23% e a maior da zona do euro. O projeto foi saudado por autoridades da União Europeia. O governo espanhol diz que se trata do mais importante projeto aprovado neste ano, mas os sindicatos afirmam que ela vai resultar numa taxa de desemprego ainda maior.

As informações são da Associated Press, da Dow Jones e dos jornais espanhóis El País e El Mundo.

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