Espanha mantém decisão de retirar soldados de Kosovo

O governo espanhol informou hoje que mantém a decisão de retirar suas forças de paz de Kosovo, uma mudança política que irritou os Estados Unidos ao mesmo tempo que Madri tenta colocar fim a anos de tensão com Washington. A ministra da Defesa, Carme Chacon, disse que a Espanha irá realizar a retirada gradualmente, em coordenação com aliados, mas a decisão é absolutamente firme e a maioria dos soldados do país europeu em Kosovo voltarão para casa até o outono (boreal). "As razões que levaram a Espanha a Kosovo dez anos atrás chegaram ao fim", disse.

AE-AP, Agencia Estado

23 de março de 2009 | 20h15

Durante coletiva de imprensa, Chacon afirmou que uma década depois dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para pôr fim à guerra da Sérvia contra as guerrilhas étnicas albanesas, Kosovo está agora consolidando suas instituições e não precisa mais de forças de paz para operações pós-guerra, como a proteção de refugiados.

De acordo com a ministra, já que a Espanha não reconhece a declaração unilateral de independência de Kosovo, feita um ano atrás, as tropas espanholas não podem tomar parte neste novo processo. "Tropas espanholas não vão participar em operações diretamente ligadas a uma decisão - a declaração unilateral de independência de Kosovo - à qual a Espanha e o povo espanhol não compartilham. Ninguém pode pedir isso à Espanha." Kosovo é uma questão sensível para a Espanha, pois o país enfrenta o separatismo na região basca e o sentimento pró-independência na Catalunha. A Espanha teme que o reconhecimento de Kosovo possa encorajar o nacionalismo regional.

Consultas

A ministra anunciou a retirada dos soldados espanhóis na quinta-feira, durante uma visita às tropas do país em Kosovo. Na quinta-feira, ela irá se reunir com o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, para começar a coordenar a retirada espanhola. Chacon negou informações divulgadas por jornais segundo as quais o ministro do Exterior espanhol, Miguel Angel Moratinos, não foi consultado antes do anúncio. Ela afirmou que a decisão reflete a opinião de todo o governo.

A Otan e os EUA disseram que foram comunicados pouco antes e reclamaram que a decisão poderia ter sido discutida entre todos os países que possuem forças de paz em Kosovo. O Departamento de Estado norte-americano informou sexta-feira que estava "profundamente desapontado" com a decisão espanhola e discordava da avaliação do país europeu de que a missão em Kosovo está encerrada.

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