Espanha: Maquinista falava ao telefone antes da tragédia

O maquinista do trem que descarrilou na quarta-feira da semana passada no noroeste da Espanha falava ao telefone com um colega e aparentemente olhava um documento enquanto o trem corria a uma velocidade de 153 quilômetros por hora - quase duas vezes o limite permitido. Repentinamente, uma curva conhecida surgiu diante dele e o maquinista puxou os freios muito tarde. O trem, que transportava 218 passageiros em oito carros, saiu dos trilhos e bateu em um murro de concreto matando 79 pessoas.

AE, Agência Estado

30 de julho de 2013 | 18h26

As informações constam de documentos divulgados por um tribunal espanhol nesta terça-feira. Dados de duas "caixas-pretas" do trem indicam que o comboio viajava a 192 quilômetros por hora momentos antes do acidente. O limite de velocidade no trecho da tragédia, perto da estação de Santiago de Compostela, era de 80 quilômetros por hora. A descoberta preliminar sugere que o erro humano foi a causa do maior desastre em uma ferrovia espanhola em décadas. O descarrilamento deixou ainda 66 pessoas hospitalizadas, 15 delas em condições graves.

De acordo com as investigação feitas até o momento, o maquinista Francisco Jose Garzon Amo recebeu um telefonema de um funcionário da companhia nacional de trens - Renfe - em seu telefone de trabalho dentro da cabine e não em seu telefone pessoal. O telefonema tinha por objetivo informar a Amo qual rota seguir até seu destino final.

O funcionário da Renfe ao telefone "parecia ser um controlador", uma pessoa que organiza o tráfego de trens em toda a rota de ferrovias, informou o comunicado do tribunal em Santiago de Compostela, onde as investigações estão sendo feitas. "Em relação ao conteúdo da conversa e pelos ruídos de fundo parece que o maquinista consultava um plano de viagem ou documento similar."

As informações das "caixas-pretas" divulgadas hoje pelo tribunal revelam que a redução considerável na velocidade ocorreu porque o maquinista acionou os freios da composição, provavelmente ao perceber que o trem ia rápido demais.

Autoridades disseram o programa de freios automáticos de alta tecnologia chamado de European Rail Traffic Management System foi instalado em quase todas as composições de alta velocidade que viajam de Madri para Santiago de Compostela - rota seguida por Amo. Mas essa cobertura de segurança terminou exatamente cinco quilômetros antes do local onde o acidente aconteceu, o que coloca um grande peso nas mãos do maquinista.

A companhia espanhola de estradas de ferro disse que os freios deveriam ter sido acionados quatro quilômetros antes de o trem atingir a curva.

A porta-voz do tribunal disse à Associated Press que as investigações preliminares "não indicaram que qualquer falha técnica" tenha contribuído para o acidente. Ela falou em condições de anonimato porque as regras do tribunal a impedem de se identificar pelo nome.

O maquinista foi provisoriamente indiciado por múltiplo homicídio e negligência, mas não foi preso porque as partes envolvidas no caso não acreditam que haja risco de ele fugir ou destruir evidências, segundo informou o tribunal.

Investigadores do tribunal, polícia forense, do Ministério de Transporte e da Renfe examinaram o conteúdo das duas caixas-pretas recuperadas do trem, mas as investigações ainda devem prosseguir. Os próximos passos incluem o exame da locomotiva e das rodas do trem, informou o comunicado do tribunal sem especificar o que significam essas checagens. Cães farejadores também serão usados nas checagens. Fonte: Associated Press.

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